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A ciência é para quem?

Fãs,

Após o caso dos beagles usados como cobaias pelo Instituto Royal vivemos o momento inicial de euforia e agora vivemos o momento em que os racionalistas se manifestam e justificam o uso de beagles. Dentre os vários artigos que li e vídeos do Youtube que vi sobre o caso, quero destacar o artigo do doutor em biologia celular e molecular Octávio Menezes de Lima Júnior que escreveu em O Globo este artigo aqui em que chama os opositores do Instituto Royal de Zooxiitas. Curioso é que o doutor tão cheio de evocações ao equilíbrio e ao racionalismo já abre seu texto com um jargão, uma das marcas do partidarismo, do paixão e do sectarismo.

Sou gato, não deveria estar aqui preocupado com cachorros. Mas, como disse em outro texto meu, quem me garante que não seremos nós felinos que estaremos amanhã engaiolados para nos espetarem, nos mutilarem e nos matarem quando infectados por algum experimento que deu errado?

Os cientistas e defensores dos testes com seus dez milhões de argumentos cerebrais esquecem da pergunta inicial a ser respondida: 1) Quem disse que os humanos podem fazer tudo em prol do seu bem-estar? Pois afinal, todas as perguntas desembocam no seguinte fim: “quero ver proteger beagles quando seus entes queridos tiverem câncer e forem curados graças aos testes”; “isso é a evolução da ciência”; “há sacrifícios agora para que o mundo seja melhor no futuro!” Peralá, melhor para quem? 1 – Quem escalonou que eu, gato, sou pior do que vocês humanos? Onde está escrito isto? 2 – Em que eu me beneficio com testes para que vocês produzam perfumes mais cheirosos, batons mais bonitos? “Ah, mas é a cura do câncer, não é batom!” Então tá: Cago e enterro para a sua cura do câncer. Quer dizer então que para você viver 200 anos eu terei que ficar me ferrando no laboratório?

Acho curioso também os outros argumentos que visam generalizar: “então vocês deveriam poupar todas as vidas não só dos beagles, mas das baratas, dos mosquitos da dengue etc.” “Só por que o beagle é fofo ele merece viver e a barata não?” Exatamente! Ora, doutores, ser fofo é uma característica tão importante quanto ser inteligente. Quem escalonou isso também? Os humanos acham que as melhores características são só as que eles têm, como eles não são fofos, eles desmerecem a fofura. Pois acho sim que eu, gato, mereço favorecimentos graças à minha fofura. Simples assim.

Por fim, quero dizer que viverei, se viver muito, uns 20 anos. Os humanos vivem seus 70/80 anos. Todos os seus experimentos, embelezamentos, busca por curas, se justificam por uma só coisa: eles não sabem conviver com o tempo e com a sua própria existência. Eles não toleram seu cheiro e por isso criam perfumes; eles não toleram a cara que têm, por isso criam maquiagens; eles não toleram a morte, por isso querem vencer todas as doenças. Não nos punam pelo vosso desconforto diante da vida. Se vocês soubessem viver, poderiam viver no máximo 20 anos, como eu. e morreriam felizes. Se vocês soubessem viver, não perderiam seu tempo em laboratórios buscando a cura do câncer, estariam aproveitando ao lado de seus filhos os parques, os almoços, os prazeres da vida. Viveriam menos em quantidade, mas viveriam muito mais.

Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

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25 comentários em “A ciência é para quem?

  1. Adorei o texto Borges!!
    Os humanos se mostram cada dia mais inconsequentes, fazem coisas terríveis em busca de dinheiro e mais dinheiro. E isso está acabando com o planeta e com toda vida que mora nele e quer saber de uma notícias triste? Gatos já sofrem em laboratórios, com cirurgias cerebrais inclusive!

    Como eu disse em outro comentário testes farmacêuticos são muito questionáveis e quanto mais os pesquisadores se empenharem em desenvolver meios alternativos melhor será para quem usa os remédios, pq até que ponto o organismo de um cachorro ou rato é semelhante ao nosso?? Quantos remédios falharam nas cobaias e poderiam dar certo para nós??
    Mas uma coisa é certa, o humano já se afastou tanto do seu natural que sofre cada vez mais com doenças. Os organismos que mais possuem doenças é o humano… Comem alimentos que não trazem benefício algum, só vão matando aos poucos e quem se recusa a comer isso? São considerados loucos e chatos, que não tem uma vida ‘normal’. Mas entre uma vida normal e uma vida sem doenças é claro que fico com a vida sem doenças e dane-se o que falarem de mim!!

    E a concepção humana é uma merda mesmo, se bota acima de tudo e de todos com o argumento mais inútil possível “somos superiores” kkkkk, dá até vontade de rir! Se somos tão superiores assim pq não caçamos nosso alimento com as próprias mãos?Pq somos incapazes de abater um animal apenas com a nossa morfologia atual!
    O que é ser superior? Somar 2+2?

  2. o texto e lindo verdadeiro,eu acho voce mais inteligente do que estes ser que andam por ai fazendo e falando besteira.bjd

  3. É, borginho… mas o pessoal que foi no instituto disse que também tinham gatos, coelhos e ratos por la… mas não deixaram voltar pra tirar. :/

  4. Concordo contigo, Borges. Se querem fazer experimentos que façam em si próprios ou algum humano com a doença e que concorde em servir de cobaia.

    • os pobres animais não tem escolha de ser cobaias!!!! já o ser humano teria, e acho que os presídios estão cheios de criminosos que poderiam ter alguma redução de pena se concordassem em participar destes testes, mas tudo devidamente documentado, claro….

  5. Eu não sei…só pensando aqui…

    Passei um ano inteiro lutando contra casos de câncer na minha família. Sim: porque meus bichos são minha família. Então: tive duas gatinhas com câncer e uma cachorra, também com câncer.

    Tratei elas. Fiz tudo o que podia. Dois dos casos eram além da esperança de sobrevida: a Gigi, com melanoma e a Agnes, que lutava há três anos com tumores múltiplos metastasados, carcinoma e sarcoma. O outro caso, o da Alice era também um tipo agressivo de câncer, mas que até agora não voltou. Ela é considerada em remissão da doença—que na prática é o melhor que se consegue com câncer, o dizer que “por ora não voltou”.

    E, mesmo nos casos que perdemos a briga: a Gigi teve um final de vida bem menos sofrido e mais confortável que o da Amelia, minha outra gata que morreu de melanoma ocular em 2007. Na época eu não pude tratar a Amelia por falta de opções: nem quimioterápico para fazer a doença avançar com menos selvageria tinha. No caso da Agnes…ela aguentou, aguentou. No final, dependia muito dos remédios, analgésicos, antiinflamatórios. E, também: sei que teria sido um final muito mais horrível se ela tivesse sido deixada ao Deus-dará. Sei porque eu já vi como é: os cães que tive durante minha infância e adolescência morreram de câncer. Na época não havia tratamento: era sentar e ver o bicho morrer ou sacrificar de uma vez, sem escolha.

    Eu não me arrependo de ter tratado minhas gatinhas e minha cachorra. Nem um pouco.

    Mesmo sabendo que a carboplatina e a doxorrubicina que elas tomaram foram, com certeza, desenvolvidas em testes em animais.

    Sei que pode parecer insensível e um dilema ético enorme “assim, como: matam outros animais para desenvolver remédios para salvar os seus?”. Sei que não é algo bonito, não é misericordioso, e não me agrada a ideia de testar o que quer que seja em organismos que sofrem. Mas pergunto…se não se fizer isso, resolve-se a coisa como? Há algum outro método para testar medicação contra câncer e outras doenças?

    Não no interesse da preservação da minha vida, mas para preservar a vida de animais. Que sim, também usam medicamentos.

    Eu adoraria saber que existem métodos que permitam que existam medicamentos para que eu possa tratar de meus gatos sem que animais sofram no processo. Mas isso existe? Dá pra se inventar uma nova droga contra o câncer sem o uso de cobaias vivas?

    Ainda não tem um remédio realmente bom para melanoma, por exemplo. O que tem é paliativo para retardar um pouco o espalhamento dos tumores. Radioterapia pode ajudar, é o melhor que tem…mas também…para existir foi testada antes em macacos, ratos e cães.

    Precisava de um remédio para melanoma, e ainda não tem. Eu queria que criassem um, sério. Como, eu não sei.

    Só queria que existisse, como existem outros remédios para cães e gatos.

    O antibiótico contra uma infecção de pele, a insulina do diabético, a condroitina para abrandar dor nos ossos, as vacinas…tudo foi testado em animais.Ou extraído de animais. Cruel, horrível pensar, mas sim: tudo veio daí.

    Pergunto: quem vai parar de dar vacina no seu cão ou gato?
    Ou negar a ele um meloxicam na hora da dor, dizendo “isso foi desenvolvido de modo cruel”?
    Como vai ser a vida sem o anti-pulgas? Para criá-lo foram feitos testes de toxicidade.
    O mesmo vale para anestesias: então, vamos fazer cirurgia de castração dos nossos bichos “a sangue frio” de agora em diante (a dor é natural, afinal…)?
    E se alguém tem um câncer—e não me refiro aos humanos—então a gente senta do lado e espera a doença comer até o último osso da criatura?

    Quem daqui faria isso?

    Como eu disse, detesto MUITO a ideia de que animais sofram para que remédios existam. Também acho que não devia ser assim. Mas sua colocação de que “remédios são para humanos prolongarem suas já longas vidas” me parece bem errada, e na verdade doeu muito em mim. Não estou a fim de prolongar a minha vida, pouco me importo com ela pra falar a verdade. Mas eu quis SIM prolongar a vida da Alice (que é uma gata, assim como você), quis que a Gigi (que também era uma gata, assim como você) pudesse ao menos aproveitar um restinho de existência digno, e, sim, quis o mesmo para a Agnes (mas ela era só uma cachorra vira-latas, e acho que você não se importa, pelo que disse. Tudo bem).

    Para preservar essas vidas ou ao menos deixá-las ir em paz, precisei de remédios. E ainda preciso de remédios: tenho outros dez gatos para cuidar. Muitos já estão velhos. Muitos vão ficar doentes no futuro.

    Não sei onde vão ser testados esses remédios. Se em bichos, em gente, em modelos robóticos ultra-sofisticados (que não existem), se em alienígenas que os terráqueos, humanos, cães e gatos vão capturar e pegar como escravos (que ainda não foram achados e não creio que sejam), ou em bio-modelos sem vida mas com funções orgânicas perfeitas para testes (que ainda devem levar mais uns cem anos ou mais de trabalho para serem desenvolvidos rudimentarmente), sinceramente não me importa…o que me importa é que os remédios EXISTAM. E, sim, que as pesquisas CONTINUEM. Que se ache alívios, avanços, curas quem sabe. Precisamos disso!

    Ou a gente vai continuar vendo câncer devorar cães e gatos que poderiam estar vivos. Não só humanos.

    Minha gata Gigi tinha só oito anos. Você disse que gatos, como você e ela vivem vinte anos.

    Ela MORREU de CÂNCER aos OITO ANOS. Ao menos teve o conforto dos remédios.

    Você teria coragem de olhar na cara dela e dizer “Se humanos soubessem viver, não perderiam seu tempo em laboratórios buscando a cura do câncer”?

    Pense nisso. E boa sorte e boa saúde no seu futuro.

    Desculpe se pareço rabugenta e insensível em querer o remédio, mesmo que tenha vindo de algum rato, cão ou—para mim, tudo bem—humano torturado. Mas você também foi muito insensível dizendo o que disse. Se isso é pensar em quem sofre…lamento, você não pensou nas vítimas animais das doenças, sobretudo nas vítimas do câncer.

    Tudo bem: estamos acostumados com a exclusão.

    (e um abraço aqui de uma humana que quase nunca usa maquiagem e não vê médico há mais de um ano—mesmo precisando de fisioterapia e cirurgia. Caso é: eu precisava tratar meus animais, eles eram e são a prioridade).

    • Dee Vasquez sua colocação me emocionou muito, pois sou veterinária e sei muito bem o que você sente. Conheço sua emoção e dela compartilho. Diariamente atendo meus pacientes na radiologia em busca das tão temíveis metástases. Sofro quando as encontro e me alegro quando a quimioterapia consegue protela-las um pouco mais. Além de veterinária, sou professora e pesquisadora. Também não nos causa conforto o uso de modelos animais, mas quanto temos de faze-lo, até para a busca de uma terapêutica que possa aliviar nossos amigos de duas, de quatro patas, que andam, que rastejam, que voam, o fazemos com respeito e consciência de que não há outro modelo artificial que possa substituir essa fase. Infelizmente, até para que um novo complemento/suplemento alimentar possa ser colocado no mercado, há a necessidade de se testá-los para a segurança de quem os usará. anos a fio. E quem disse que a vida é justa? E quem disse que todos não sofremos com tudo? O que não podemos perder de vista é o respeito entre os humanos, é não perder de vista a tolerância para as diferenças, é não radicalizar nem para um lado, tão pouco para outro… Mas Dee, cuide-se também, pois se você não estiver bem, seus animais também não ficarão.
      Grande beijo no seu coração

    • Dee, também me comovi com o teu comentário, mas ainda assim não concordo com os testes… No próprio artigo do jornal que o Borges citou, há muitas controvérsias… Uma coisa é certa: enquanto os testes em animais forem permitidos, nenhuma alternativa será encontrada ou mesmo criada porque ela não será necessária, pois os testes em animais existem há muito e são (apavorantemente) muito bem vistos por grande parte da comunidade científica. Porém, como citou o próprio Doutor Otavio, autor do texto de O Globo, os testes em animais não são necessariamente seguros em humanos! E certamente os testes não são feitos, em sua maioria, com a intenção de curar as doenças dos nossos pets tão amados! Agora, no mínimo, nós humanos podemos escolher entre sermos submetidos ou não a testes de laboratórios, enquanto os animais NÃO! Mas há quem diga que são “animais de laboratório”, que eles nasceram pra isso… Pois bem, testes em “humanos de laboratório” seriam bem vistos, então? Sim, pois afinal há muito se sabe ser possível criar vidas humanas em laboratórios e eles nasceriam apenas pra isso, ou não?! (Isso não é uma sugestão, eu nunca concordaria com isso. É apenas a ilustração de uma situação semelhante que certamente todos repudiariam.) Há algum tempo, era impensável produzir novos cosméticos sem testes em animais. Pois bem, e não é que a União Europeia além de proibir testes em animais na produção de cosméticos também proibiu, mais recentemente, a comercialização de produtos testados em animais, independentemente de onde tenham sido fabricados? Ué, mas testes em animais não são necessários para desenvolver novas tecnologias em cosméticos? Bem, eles eram, já foram… Sabendo da necessidade de adequação, as indústrias foram obrigadas a buscar alternativas, e encontraram. Quer dizer que enquanto a situação não mudar, ela não vai mesmo mudar! O que é certo, não é certo pra sempre! Não que eu ache que medicamentos não devam ser testados ou desenvolvidos, longe disso… Que desenvolvam muitos medicamentos que aliviem as dores dos nossos filhotes e também da gente, mas que isso não custe a vida de tantos outros animaizinhos que, apenas por não serem nossos e terem tido a infelicidade de irem parar nesses “campos de concentração científicos”, aparentemente perderam a importância para alguns…

  6. Falou e disse Borginho. E todos que são contra os testes em animais podem começar fazendo sua parte no dia a dia, passando a comprar produtos livres de crueldade animal. São muitas empresas com produtos ótimos, de cosméticos, beleza e produtos de limpeza. Na net tem várias listas disponíveis das empresas que testam e as que não testam. Beijos!

  7. Eu concordo com muito do que vc disse, Borges.
    Mas acho que está é uma discussão muito, mas muito mais ampla mesmo.
    Talvez seja hora de revermos conceitos.
    Não acho certo testar nada em quem não concorde conscientemente com isso. Sejam animais ou pessoas.
    O homem já escravizou seus irmãos e achava isso certo. Hoje é simplesmente absurdo.
    Enfim, acho que esta é a oportunidade para começar uma reflexão maior.

  8. Bonito texto, Borginho. As pessoas que defendem o uso de teste em animais por acharem que é necessário não sabem ou não querem saber que existem inúmero outros meios de testar sem usar seres vivos. Pode ser até um pouco mais caro, mas e daí? Esses laboratórios já tem um lucro exorbitante mesmo (caixa de remédio a 4 mil reais, por exemplo). E cosméticos? Se tem empresa que consegue fabricar sem testar em animais, todas podem fazer isso.
    Quando eu estava na Europa, vi uma farmácia com um aviso enorme na vitrine: “Não comercializamos produtos testados em animais.” Achei isso lindo.

  9. Argumentos que defendem esse tipo de pesquisas para mim são sempre infundados. Escutei que eles não eram maltratados. Fazia apenas parte da pesquisa, mas lá nos campos de concentração dos nazistas diziam apenas que era trabalho.
    Ser humano se acha tão inteligente, que já deveria ter encontrado outra solução para os tais testes que não usassem animais, já que não conseguem viver como o Borginho descreveu.

  10. Borges, você super inteligente como sempre!!!! Adorooo!!! Muito bem colocado cada observação, cada palavra, cada sacada. Nenhum ser vivo, seja humano ou animal, tem que sofrer!!! Por qualquer motivo. Falou tudo!!!

  11. Apoiado Borginho e assino em baixo tudo o que vc brilhantemente expos, Acrescento que se é pleo bem do ser humano, ele próprio que experimente seu veneno. Aliás, tem muita gente ruim aí que podia se redimir passando pelo instituto dos horrores. E abomino qualquer experimento em qualquer peludo independete de raça. Pronto, falei.. lambeijusss

  12. Borginho e Christie prometem que não vão deixar esse assunto virar pizza??? Vamos falar, falar, falar até tudo isso acabar com final feliz para os nosso anjos de 4 patas. Lambeijuuuuussss

  13. Gostaria de parabenizá-lo, ótimo texto. Hoje me deparei com comentários inescrupulosos em relação ao “sacrifício necessário” mas não havia encontrado maneira de figurar isso em minha mente. Seu texto me auxiliou com precisão. Não sou de comentar ou de discutir em redes sociais, porém, venho aqui com o propósito apenas de te dar os parabéns e pedir que continue com seus belíssimos posts.

    Abraço forte e um carinho na pata!

    • Caro Henrique,
      Sei que o post é sério, talvez um dos mais sérios aqui do blog, mas não resisti:
      -O que seria um carinho na pata?
      hahahahhaha
      Brincadeirinha…
      😉

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