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A gramática agramática

Fãs,

Uma das invenções humanas que mais aprecio é a escrita. Para mim, ela está no mesmo nível dos sofás e dos petiscos. Ontem, li este texto sobre mudanças ortográficas no português e achei interessante. Conforme busquei mais textos sobre o assunto e li mais comentários, vi milhares de humanos extremamente irritados com a proposição da nova reforma em que o H deixaria de existir (Homem passa a ser Omem) e o QU também deixaria (assim, queijo passa a ser qeijo). Alivio os fãs que possam se irritar, pois isto é só uma proposta, sendo assim, está longe de ser aplicada de fato.

Acho curioso que alguns humanos pensem a língua não como uma forma de integração, mas justamente como segregação e status. Nos comentários que vi por aí, diziam: “vão acabar com a língua!”, “isto é porque ninguém mais sabe escrever!” Há um medo de que não se possa mais separar os doutos que sabem e os que não sabem quando usar o S, SS, Z, Ç, H e por aí vai. Língua é sinal de poder. Quem nunca viu alguém, em meio a uma discussão, desdenhar de outro que escreveu a palavra da forma não convencional? E assim os humanos colocam seus empregados em seus devidos lugares, pois são analfabetos, ou melhor, semi-analfabetos. Entretanto, a forma das palavras é o menos importante na comunicação. A ideia empregada nela vai muito além de sua forma. Sendo assim, um repentista pode com seus supostos erros ortográficos dizer muito mais que um gramático.

Sempre é bom lembrar que há anos farmácia se escrevia com ph, hoje, ninguém sente mais falta do ph. As crianças no colégio sequer sabem dessa possibilidade de juntar o P com o H. E o Latim de onde saiu o português, nem na boca dos padres anda mais e, com o passar dos anos, tudo se modifica, assim como caiu o acento de idéia e de pêlos que, para mim, pareciam tão mais bonitas com grampinho e chapeuzinho. Aos fãs mais conservadores, não se assustem, a língua não pode ser mudada do dia pra noite com uma canetada. É um erro achar isso, pois ninguém passaria a escrever “O omem comeu o qeijo” só porque alguém disse que é assim. Porém saibam que as propostas do artigo sobre a nova ortografia são muito mais próximas do futuro do que o português que escrevemos hoje, pois me parece extremamente esquizofrênico manter uma letra como o “H” que mais parece um fantasma, está sempre ali, só a espiar-nos, mas não faz absolutamente nada.

Ass.: Borges, o gato

 

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6 comentários em “A gramática agramática

  1. Borginho,
    Língua, com L maiúsculo, é a inglesa.
    Simples, universal, sem firulas para serem modificadas.
    Portuguese sucks!!! Ok?
    😉

  2. Borginho querido!

    Eu sou conservadora! Você não acha que a língua se tornaria mais pobre com essas mudanças? A gente sabe que o processo é lento, não vai acontecer agora, mas por que não deixar esses “estudos” para um pouco mais adiante? Mudar, ela vai mesmo, é um processo vivo e dinâmico, irrefreável (ainda bem). Mas eu achava tão charmoso escrever “pharmácia”!

    Beijinhos!

  3. Ai Borginho, desculpa a a tia, mas ela tá véia… Se eu tiver que reaprender a escrever, desisto de ler e escrever… Não consegui assimilar nem a última alteração, que nem foi tão profunda assim… Deixa pra depois que eu passar dessa pra outra… aí recomeço tudo nos bancos de escola e aprendo do jeito novo… beijinhos da Jaque (com h e qu).

  4. Ai ai Borginho polêmica. Mas estou com a Jaqueline tomara que mudem quando eu já não estiver mais por aqui.

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