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À Pessoa, meu coração

Fãs,

Retiro mais um trecho da carta da tia Paola:

“…e vi que você era um filhote, indefeso, arrepiado, porém cheio de poesia. Como não se apaixonar por um gato cercado de livros?” (LIMEIRA, Paola)

No interior da caixa de presentes, um coração com meu nome. Coração, esse símbolo da paixão, paixão, esta palavra que tem a mesma origem da palavra doença, patologia. Corações doentes, corações doentes de Borges. Tenho que discordar da tia Paola. Eu não era indefeso, arrepiado porém cheio de poesia. Eu era indefeso, arrepiado e, justamente por isso, cheio de poesia. Talvez por eu ter me desarrepiado, por ter me tornado mais forte, tenha perdido boa parte de minha poética. A poesia, provavelmente, está no miúdo, no arrepio, no esquisito, no frágil, no doente. Já tive muita poesia em mim, hoje acho poesia olhando pra Pessoa e é a ela que dou meu coração doente que foi me dado pela tia Paola. E que a poesia também passe assim, de um a um, de doente a doente, de apaixonado a apaixonado.

Ass.: Borges, o gato.

 

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