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As intermitências do salto

Fãs,

A vida, assim como o salto, deve ter intermitências. Tudo que se diz felino tem intermitências. Os humanos, geralmente não. Eles se orgulham em dizer: “Não paramos!”, “Esta é uma cidade que nunca dorme!”, “Sou um workaholic!” Orgulhos tontos. Deve-se orgulhar é da intermitência, de parar entre uma coisa e outra. Até um salto, coisa mais antônima da intermitência, tem intermitências para um gato. O humano fecha os olhos e salta duma só vez. O gato não. O gato para, olha, avalia, calcula mentalmente, lambe-se, ajeita o pelo, olha novamente, ameaça pular, lambe-se de novo e só aí pula. Pode pensar o humano que, a partir daí, não há mais pausas, mas engana-se. Há pausas mentais, um gato, no meio de seu salto, pode sair de si, viajar por outros universos, bibliotecas imensas, descansar em caixas de papelão, para depois voltar ao seu corpo e aterrissar no chão. Pousado, para, lambe-se, olha, mede o próximo passo e avalia se vale a pena dormir ou não antes de continuar.

Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

 

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Avaliando o salto
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Intermitente

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