Hoje apresento para vocês um poeminha do Charles Baudelaire. Para quem não conhece, ele é famoso por ser um dos maiores poetas do mundo e o mais famoso poeta Francês. Então, nada mais justo do que apresentarmos aqui sua visão sobre os gatos.
Fica o poema em português, o original em francês e um vídeo com ele:
O Gato
Vem cá, meu gato, aqui no meu regaço;
Guarda essas garras devagar,
E nos teus belos olhos de ágata e aço
Deixa-me aos poucos mergulhar.
Tua cabeça e o dócil torso,
E minha mão se embriaga nas delícias
De afagar-te o elétrico dorso,
Em sonho a vejo. Seu olhar, profundo
Como o teu, amável felino,
Qual dardo dilacera e fere fundo,
E, dos pés a cabeça, um fino
Ar sutil, um perfume que envenena
Envolvem-lhe a carne morena.
Le Chat
Viens, mon beau chat, sur mon coeur amoureux;
Retiens les griffes de ta patte,
Et laisse-moi plonger dans tes beaux yeux,
Mêlés de métal et d’agate.
Lorsque mes doigts caressent à loisir
Ta tête et ton dos élastique,
Et que ma main s’enivre du plaisir
De palper ton corps électrique,
Je vois ma femme en esprit. Son regard,
Comme le tien, aimable bête,
Profond et froid, coupe et fend comme un dard,
Et des pieds jusques à la tête,
Un air subtil, un dangereux parfum,
Nagent autour de ton corps brun.
Olá, fãs! O grande poeta Pablo Neruda que teve estes dias seu corpo exumado, pois há suspeita que tenha sido assassinado pela ditadura militar de Pinochet, como muitos outros artistas foram, também era um admirador de gatos e tem um poema lindo para nós. Na verdade, o Neruda era conhecido como o poeta de todas as coisas, ele tem tantos poemas, mas tantos poemas, e dedicados a cada coisa: batalhas, animais de todos os tipos, amores, diferentes pessoas. Vale dar uma olhada em seus poemas e conhecer um pouco de sua obra. Mas, pra gente, o que vale é este poema felino. Vamos a ele em espanhol e depois uma tradução em português e, depois ainda, um vídeo com a versão de Álvaro Henriquez do disco Neruda en el corazón.
Espanhol, original de Neruda:
Losanimales fueron
imperfectos,
largos de cola, tristes
de cabeza.
Poco a poco se fueron
componiendo,
haciéndose paisaje,
adquiriendo lunares, gracia, vuelo.
El gato,
sólo el gato
apareció completo
y orgulloso:
nació completamente terminado,
camina solo y sabe lo que quiere.
El hombre quiere ser pescado y pájaro,
la serpiente quisiera tener alas,
el perro es un león desorientado,
el ingeniero quiere ser poeta,
la mosca estudia para golondrina,
el poeta trata de imitar la mosca,
pero el gato
quiere ser sólo gato
y todo gato es gato
desde bigote a cola,
desde presentimiento a rata viva,
desde la noche hasta sus ojos de oro.
No hay unidad
como él,
no tienen
la luna ni la flor
tal contextura:
es una sola cosa
como el sol o el topacio,
y la elástica línea en su contorno
firme y sutil es como
la línea de la proa de una nave.
Sus ojos amarillos
dejaron una sola
ranura
para echar las monedas de la noche.
Oh pequeño
emperador sin orbe,
conquistador sin patria,
mínimo tigre de salón, nupcial
sultán del cielo
de las tejas eróticas,
el viento del amor
en la intemperie
reclamas
cuando pasas
y posas
cuatro pies delicados
en el suelo,
oliendo,
desconfiando
de todo lo terrestre,
porque todo
es inmundo
para el inmaculado pie del gato.
Oh fiera independiente
de la casa, arrogante
vestigio de la noche,
perezoso, gimnástico
y ajeno,
profundísimo gato,
policía secreta
de las habitaciones,
insignia
de un
desaparecido terciopelo,
seguramente no hay
enigma
en tu manera,
tal vez no eres misterio,
todo el mundo te sabe y perteneces
al habitante menos misterioso,
tal vez todos lo creen,
todos se creen dueños,
propietarios, tíos
de gatos, compañeros,
colegas,
discípulos o amigos
de su gato.
Yo no.
Yo no suscribo.
Yo no conozco al gato.
Todo lo sé, la vida y su archipiélago,
el mar y la ciudad incalculable,
la botánica,
el gineceo con sus extravíos,
el por y el menos de la matemática,
los embudos volcánicos del mundo,
la cáscara irreal del cocodrilo,
la bondad ignorada del bombero,
el atavismo azul del sacerdote,
pero no puedo descifrar un gato.
Mi razón resbaló en su indiferencia,
sus ojos tienen números de oro.
Versão em português traduzida por Eliane Zagury
Os animais foram imperfeitos, compridos de rabo, tristes de cabeça. Pouco a pouco se foram compondo, fazendo-se paisagem, adquirindo pintas, graça vôo. O gato, só o gato apareceu completo e orgulhoso: nasceu completamente terminado, anda sozinho e sabe o que quer.
O homem quer ser peixe e pássaro, a serpente quisera ter asas, o cachorro é um leão desorientado, o engenheiro quer ser poeta, a mosca estuda para andorinha, o poeta trata de imitar a mosca, mas o gato quer ser só gato e todo gato é gato do bigode ao rabo, do pressentimento à ratazana viva, da noite até os seus olhos de ouro.
Não há unidade como ele, não tem a lua nem a flor tal contextura: é uma coisa só como o sol ou o topázio, e a elástica linha em seu contorno firme e sutil é como a linha da proa de uma nave. Os seus olhos amarelos deixaram uma só ranhura para jogar as moedas da noite.
Oh pequeno imperador sem orbe, conquistador sem pátria, mínimo tigre de salão, nupcial sultão do céu das telhas eróticas, o vento do amor na intempérie reclamas quando passas e pousas quatro pés delicados no solo, cheirando, desconfiando de todo o terrestre, porque tudo é imundo para o imaculado pé do gato.
Oh fera independente da casa, arrogante vestígio da noite, preguiçoso, ginástico e alheio, profundíssimo gato, polícia secreta dos quartos, insígnia de um desaparecido veludo, certamente não há enigma na tua maneira, talvez não sejas mistério, todo o mundo sabe de ti e pertences ao habitante menos misterioso talvez todos acreditem, todos se acreditem donos, proprietários, tios de gato, companheiros, colegas, discípulos ou amigos do seu gato.
Eu não. Eu não subscrevo. Eu não conheço o gato. Tudo sei, a vida e o seu arquipélago, o mar e a cidade incalculável, a botânica o gineceu com os seus extravios, o pôr e o menos da matemática, os funis vulcânicos do mundo, a casca irreal do crocodilo, a bondade ignorada do bombeiro, o atavismo azul do sacerdote, mas não posso decifrar um gato. Minha razão resvalou na sua indiferença, os seus olhos têm números de ouro.
Há muito tempo atrás, pesquisando sobre meus semelhantes, achei quadros lindos e coloridos de um pintor do Cariri. Guardados. Tempinho depois, a tia Rosaamaria de Oliveira, por coincidência, me escreveu com o nome do pintor. Comecei a pesquisar mais e hoje trago aqui uma seleção de quadros dele.
O mais interessante de tudo é o seguinte: reparem na cara dos gatos. Reparem na cara dele. Reparem na cara dos gatos. Reparem na cara dele. Ele é os gatos. Os gatos são autorretratos do autor! Sensacional, né? Um autor que se vê gato .
Olá, fãs! Hoje venho apresentar para vocês uma poetisa/poeta (como prefiram) chamada Carla Ceres. Tia Carla mora com uma filhote gata em Piracicaba e é muuuito amiga do papai. Papai gosta muito dos poemas da tia Carla e sempre os lê pra mim. Ele me contou que já os lia antes de eu vir ao mundo. E esse mundo é engraçado, pois agora tia Carla diz que lê meus textos, eu tão novo e ela tão experiente poeta.
Olá, fãs!! Como vão? Alguma fã me indicou há um tempo o pintor Luciano Martins. Eu, por desleixo, perdi quem foi a fã, mas com carinho, guardei os quadros. Luciano Martins é de Porto Alegre e vive em Florianópolis. Seu ateliê fica no bairro Lagoa Conceição. Se você quer conhecer as obras dele, seu trabalho etc. etc. etc. o melhor caminho é o seu site: http://lucianomartins.com.br/ Aqui, pra gente, eu separei o que interessa: as obras de gatinhoooooooooooooooo! Digam-me aí. O que acharam?
Nossa dica cultural de hoje está extremamente diferente. Até porque eu não sou ouvinte de rock, então nunca chegaria até esta dica sozinho. Mas a tia Sarabólica, mãe do Bazinga, me indicou uma música muuuuuito legal de uma banda chamada “Canastras”.
Clica aí no vídeo para ouvir. Poxa, bem que eles podiam fazer um clipe aqui conosco, né? Imagima a gente montando um, coma ajuda de todos os fãs, para essa música, ia ser legal. hehehhee!
Letra da música:
PULO DO GATO
Essa é a história do pulo que o gato deu
Se caiu ou não de pé é uma questão de fé
no felino seu
Pois quando o gato sobe no telhado
De fato, tudo pode acontecer
Porque o pulo do gato salta aos olhos
E só você não vê
Essa é a história do pulo que o gato deu
Quem o visse espreguiçado no capacho pensaria
Dejavu, meu Deus
Malgrados os caprichos desses olhos gateados
Com o perdão do trocadilho que o estribilho vai dizer
Que o pulo do gato salta aos olhos
E só você não vê
Para quem gostou da banda e quer conhecer mais, fica aí as dicas:
Vocês sabem quanto amo literatura e quanto amo me aventurar pelas letras de outros países, não é?
Pois imaginem um poeta que é um professor de química. Exato. Além disto, autor de um dos poemas com a temática “gatos” mais lindo que já em todos os tempos. O nome dele é Rómulo Vasco da Gama de Carvalho, mas ficou conhecido pelo seu pseudônimo António Gedeão. Ele faleceu em 1997 e é pouquíssimo conhecido aqui no Brasil, embora seja um grande poeta português, nascido em Lisboa.
Abaixo deixo este lindo poema, com o texto e o vídeo narrado (que vale muito, muito, muito ser visto)!
Poema do Gato
Quem há-de abrir a porta ao gato… quando eu morrer? Sempre que pode foge prá rua cheira o passeio e volta para trás, mas ao defrontar-se com a porta fechada (pobre do gato!) mia com raiva desesperada. Deixo-o sofrer que o sofrimento tem sua paga, e ele bem sabe. Quando abro a porta corre para mim como acorre a mulher aos braços do amante. Pego-lhe ao colo e acaricio-o num gesto lento, vagarosamente, do alto da cabeça até ao fim da cauda. Ele olha-me e sorri, com os bigodes eróticos, olhos semicerrados, em êxtase, ronronando. Repito a festa, vagarosamente, do alto da cabeça até ao fim da cauda. Ele aperta as maxilas, cerra os olhos, abre as narinas, e rosna, rosna, deliquescente, abraça-me e adormece. Eu não tenho gato, mas se o tivesse quem lhe abriria a porta quando eu morresse?
Olá, fãs! Vou indicar-lhes um filme, chama-se Une vie de chat ou, em português de Portugal, Um Gato Em Paris. Ainda não vi este filme aqui pelo Brasil, mas vocês podem baixar no Torrent e conseguir as legendas portuguesas através do BSPlayer! Foi uma indicação muito legal feita pela tia Roberta Oliveira.
Um ladrão ao estilo romântico destes que pisam como quem pisa nos corações, destes que pisam como um gato e são leves, levíssimos e andam com movimentos curvos, é o protagonista mais sensacional do filme. A história começa com ele e com seu companheiro felino. Porém, o felino (chamado Dino) tem uma vida dupla: de noite está com o ladrão, de dia é o amorzinho de uma menininha de família, filha de uma delegada valentona. O desenho é tão bonito que parece composto por telas, uma após a outra, e a beleza dos traços é tão ou mais importante que a própria trama, que se passa com duração de cerca de 60 minutos sobre os telhados de Paris. Todos os personagens são um pouco felinos: o ladrão anda sobre muros e telhas, a menina também consegue, a mãe da menina anda, andam, também, outros ladrões. E por falar em outros ladrões, a trama se polariza com o ladrão romântico, gatuno e gateiro, em uma batalha contra gangsters liderados pelo assassino do pai da menininha. Ao final do filme, os tutores do gato se unem, a menina ganha um novo pai e o gato passa a ter uma só casa.
Espero que gostem. Depois que assistirem, me digam o que acharam.
Lambeijos,
Borges, o gato – @borgesogato
Trailer
Cartaz do filme
Uma das cenas mais bonitas, o gatuno e o gato diante da Torre Eiffel
Dino, o gato.
Os personagens se movimentam pelos altos dos prédios com uma leveza felina
Fugindo dos gangsters
Se de noite ele ajuda a roubar jóias, de dia ele é um gatinho fofo. Uma dualidade felina, muito legal mostrada pelo filme.
Olá, fãs! Já ouviram falar de arte Naif? Não. A arte Naif tem tudo a ver comigo, pois é uma arte que seus artistas produzem sem qualquer preparação acadêmica. São artistas que vão aprendendo sozinho igual eu aprendi a escrever. Geralmente, feita por pintores e escultores, a arte Naif se destaca por não seguir formas e proporções precisas.
Mamãe e papai estiveram no Museu Internacional de Arte Naif (MIAN) que fica aqui no Cosme Velho, Rio de Janeiro, e trouxeram umas fotos para me mostrar. Claro que, eu não poderia deixar de compartilhar com vocês toda obra que diz respeito a nós gatos! hehehe. Além disso, tem um bônus: o museu é habitado por alguns gatinhos que mamãe tirou foto para mostrar para vocês.
Espero que gostem.
Aaaah… acho que vou começar a pintar também me inspirando nestes artistas, o que acham?
Lambeijos!
Tela decorativa bordada feita por artista do Panamá, autor não identificado. O gato tem um bigode igual o do Sarney e uma cara de coruja, mas ficou legal, né??
Tela decorativa bordada feita por artista do Panamá, autor não identificado. É um gato meio diabo, mas pelo menos tá sorrindo, deve estar feliz!
Quadro Naif que os gatinhos tem até nome, olhe, é o Merlim e o Henry
Escultura Naif de gato da Nova Guiné, o nome dela é O GATO! Autor anônimo.
Escultura de gato de El Salvador, o título também é O GATO. Autor anônimo.
Ímã a 10 Reais, vendido no museu com uma pintura Naif de gato. Borginho Naif. heheh
Olá, fãs! Já falamos de quadros, de desenho, de tirinhas, de livro… agora vou dar a dica de um filme. Mas, pensei o seguinte: como primeiro filme, não adiantaria indicar algo difícil de achar, algo muito raro. Mas, ao mesmo tempo não queria indicar algo que todo mundo já tivesse visto, como Garfield. Então, o tio Gabriel Moura deu a ideia de um filme que os fãs vão ficar de olhos arregalados, seja pelas cenas de fofurice extrema, seja pelas cenas bizarras! E, o melhor, o filme está todo disponível no Youtube. Quero muito que vocês vejam para me ajudar a formular uma opinião, pois eu assisti assim: nossa que lindo… ou melhor, que bizarro… não, que lindo… que bizarro… que filme horrível… pensando bem, que filme legal. Então, depois que vocês virem, coloquem aí nos comentários o que acharam para contribuir com os próximos leitores e completar minha linha de raciocínio.
O filme é uma produção japonesa de 1989, que tem como ponto de partida poesias e filosofias orientais e representa a odisseia do gatinho Chatran, que tem como melhor amigo o cachorro Puski. O filme tem um narrador bizarro que descreve as cenas, mas também fala os pensamentos dos animais. A aventura começa em uma fazenda e se espalha por uma floresta, até volta a fazenda novamente. Como uma epopéia clássica, Chatran sai por aventuras, vive infernos, mas depois retoma a felicidade do lar. Vou destacar umas cenas interessantes de cada parte do filme para os fãs colocarem mais atenção a elas.
Parte 1: fofura number 1, Chatran com seus irmãozinhos filhotes; gato contracenando com cobra (quem teve essa ideia?)
Parte 2: gatos nadando (credo! pior que filme de terror!), Chatran tomando beliscão de caranguejo na cara, me digam, pfv, que isto foi um efeito especial japonês dos anos 80. Chatran e Pusky brincando de pique-esconde, muito legal, hehe. Nesta parte Chatran se perde no rio e Pusky vai atrás dele.
Parte 3: a cena mais bizarra de todo filme, um cachorro lutando contra um urso! Como em 1989 alguém gravou isso? É bizarro, vi umas 3 vezes, fãs, para conseguir assimilar. Gato descendo as corredeiras igual ao Pica-pau!
Parte 4: Gatinho roubando a comida da raposa! Cachorro brincando com raposa! Gato andando a cavalo!
Parte 5: Essa parte é o ápice da fofurice no filme: a) amizade entre gatinho e bâmbi com direito a lambidinhas (vomitações de arco-íris à vista); b) o gatinho Chatran entre os porquinhos com direito a mamadinha na mãe! Para quem só quer ver fofura, vale ver só essa parte pelo menos.
Parte 6: Continua a fofura com os porquinhos! Depois vem a bizarra, muito bizarra, ulta bizarra cena de Chatran pescando com o próprio rabo! Pusky reencontra seu amigo Chatran. Cena da vaca morta e de Pusky espantando os corvos. Chatran e Pusky se separam de novo.
Parte 7: Sonho bizarro de Chatran, sonha que está saindo no tapa com um urso!! Cenas bizarras, o Chatran desesperado no mar, tentando ir para as pedras e depois tendo que sair na praia! Que diretor de filme maluco é esse?
Parte 8: Chatran cai no buraco e Pusky o reencontra e faz o seu resgate. Chatran conhece uma gatinha branca e resolve deixar Pusky pra lá para seguir a vida de gato casado. Os caminhos se separam novamente.
Parte 9: Chega o inverno. Chatran vira pai. Cenas reais de parto da gatinha branca…. eu não queria ter visto isso. Chatran cria seus filhotes, assim como várias outras espécies. Chatran e Pusky se reencontram e cada um agora tem sua família. A amizade recomeça de forma diferente.
Parte 10: créditos.
Abaixo, o filme completinho para você ver, dividido em 9 parte mais 1 de créditos.