Dica Cultural 12 – Versinhos pra gato de Ferreira Gullar

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ferreira-gullarOlá, fãs. Tudo bom? Claro que vocês já devem conhecer o poeta Ferreira Gullar, maranhense, conhecido como um dos maiores poetas do Brasil. Pois então, o que talvez não conheça são dois poeminhas seus de gatinho. Um, inclusive, foi musicado pela Adriana Calcanhotto. Vamos aproveitar? Olha aí embaixo

LIÇÃO DE UM GATO SIAMÊS

Só agora sei
que existe a eternidade:

é a duração
finita
da minha precariedade

O tempo fora
de mim
é relativo
mas não o tempo vivo:
esse é eterno
porque afetivo
_ dura eternamente
enquanto vivo

E como não vivo
além do que vivo
não é
tempo relativo:
dura em si mesmo
eterno (e transitivo)

 

O ronron do gatinho

O gato é uma maquininha
que a natureza inventou;
tem pêlo, bigode, unhas
e dentro tem um motor.

Mas um motor diferente
desses que tem nos bonecos
porque o motor do gato
não é um motor elétrico.

É um motor afetivo
que bate em seu coração
por isso faz ronron
para mostrar gratidão.

No passado se dizia
que esse ronron tão doce
era causa de alergia
pra quem sofria de tosse.

Tudo bobagem, despeito,
calúnias contra o bichinho:
esse ronron em seu peito
não é doença – é carinho.

Abaixo, a poesia musicada pela Adriana Calcanhotto

3 comentários em “Dica Cultural 12 – Versinhos pra gato de Ferreira Gullar

  1. Oi, Borginho! Que feliz publicação, adorei! A forma de se definir o ronron do gato, tão poética, doce, me fez pensar no quanto AMO meus gatos. Espero, um dia, poder retribuir todo o carinho deles por nós aqui em casa. Lambeijinhos.

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