esporotricose_ipec_dib

Dica de Cuidado – Edição Especial – Esporotricose

dica_de_cuidado_titulo

 

Olá, fãs! Tudo bom??

Sei que hoje não é segunda-feira, mas a BandNews FM do Rio de Janeiro anunciou que amanhã falará sobre esporotricose e, como a BandNews tem uma audiência muito alta aqui, muitos e muitos fãs me escreveram perguntando sobre o assunto. Então, falei com a tia Vivian e ela se prontificou em trazer antecipadamente informações sobre o assunto para meus fãs! De nada, de nada. hehehehe.

Qual a importância de falar do tema? Como está sendo anunciado no rádio e como muita gente tem divulgado que o Rio de Janeiro vive um surto dessa doença, muitas pessoas começam a exercer seu preconceito contra gatos, o que gera abandono e maus tratos. Então, com antecedência, estou disponibilizando este texto para deixar claro que seu gatinho de apartamento que não vai à rua não tem qualquer chance de ter esta doença! Se você ouvir ou ler uma pessoa falando besteiras, mostre este texto pra ela, escrito por uma veterinária!

Fiquem, então, com este texto especial da tia Vivian! Muito bom proveito! E amanhã vamos todos ouvir a BandNews FM Rio para saber mais também sobre a doença e ouvir o que eles têm a dizer.

Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

—–

vivianOlá, fãs do Borges e da Christie. Tudo bom? Trago as informações aqui em primeira mão para vocês.

A Esporotricose é uma doença fúngica, zoonótica (ou seja, pode ser transmitida dos animais para o homem).

Devido ao clima quente e úmido do Rio de Janeiro, que é a temperatura que o fungo se desenvolve com mais facilidade, é uma patologia bem corriqueira por aqui desde 1998 e sazonalmente ocorre um grande aumento dos casos, sendo assim chamado de surto.

O fungo é tipicamente encontrado em solos enriquecidos com matéria orgânica, em vegetais e madeira em decomposição, mas também consegue sobreviver na pele em temperaturas um pouco mais altas.

Como ocorre a transmissão?

– Inoculação direta do fungo nos tecidos.

– Entre animais e seres humanos: arranhadura, mordedura, contato com as secreções de gatos doentes;

– Serviços de jardinagem, agricultura ou pessoas que tenham contato com plantas e solos naturais.

E o cão nessa história?

Pelo o que se tem de estudo até hoje, o cão infectado não chega a ser um risco de transmissão da doença para o ser humano. Grande provavelmente cachorros adquirem a doença ao entrar em contato com felinos infectados.

 

Animais mais suscetíveis:

– Animais de rua ou com acesso à rua;

– Animais machos jovens não castrados (se envolvem mais em brigas);

– Animais de gatis e abrigos;

– Animais imunodeprimidos (FIV e FeLV positivos)

 

Sinais clínicos nos felinos:

 

– Lesão única ou múltipla em pele (principalmente na região da cabeça e patas), de disseminação rápida.

– Espirros frequentes, podendo evoluir para dificuldade respiratória.

– Por se tratar de uma micose sistêmica (que ataca também órgãos internos do organismo), alguns gatos podem apresentar aumento de linfonodos (glânglios) e outras lesões geralmente só detectadas em caso de necrópsia.

 

Existe tratamento?

Sim, porém o tratamento com antifúngicos não costuma ser barato e o tratamento é longo, podendo se estender por até 1 ano de medicações diárias.

A medicação pode causar alguns efeitos colaterais, principalmente em fígado e a partir do momento que se inicia, serão necessárias visitas periódicas ao médico veterinário para fazer o controle de perto.

Nenhum tipo de tratamento tópico (pomadas, loções, cremes) possuem efetividade, pois como já foi citado anteriormente, é sistêmico e portanto o tratamento deve ser por via oral.

Existe possibilidade de realizar o tratamento através de Crioterapia (uma técnica que utiliza nitrogênio líquido- baixíssimas temperaturas- que causam necrose e posterior regeneração daquele tecido, matando assim o fungo). Este tipo de tratamento só pode ser realizado dependendo da profundidade e tamanho da lesão.

Nos casos disseminados ou refratários ao tratamento, sugere-se eutanásia.

Não se esqueça, você deve se proteger ao manipular o gato para a administração dos medicamentos. Use luvas descartáveis e após a manipulação lave bem as mãos e braços e passe álcool a 70%.

 

Qual o real problema?

Muitos proprietários acabam apresentando sinais clínicos parecidos com o gato ou desistem do tratamento e abandonam por medo. Na rua estes animais vão contaminar outros sadios, aumentando cada vez mais a população positiva. Outros realizam eutanásia e enterram em terrenos baldios ou no fundo de quintal, contaminando o solo e possivelmente outros animais que entrarem em contato com o ambiente.

 

Como proteger meu gato da esporotricose:

– Não permitir acesso a rua;

– Evitar acesso em jardins e terra;

– Castração precoce;

– Higienizar o ambiente com água sanitária com frequência;

– Caso resgate um animal de rua, mantenha-o em quarentena e observe possíveis lesões.

 

Meu gato apareceu com uma lesão de pele, como devo proceder?

 

Deve-se procurar o médico veterinário pois QUALQUER lesão de pele em gatos pode ser esporotricose. Só o profissional é capaz de realizar um bom histórico e os exames necessários para descartar esta patologia.

Na dúvida, manipule seu animal com luvas descartáveis e evite levá-lo ao médico dentro de caixa de transporte de madeira (ambiente ideal para o fungo)

Se você mora no Rio de Janeiro e quer tratar seu animal, procure o Laboratório de Pesquisa em Dermatozoonoses em Animais Domésticos do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Ipec/Fiocruz). Eles realizam diagnóstico e tratamento sem custo para o proprietário. Porém, por se tratar de um serviço público, muitas vezes é difícil arranjar uma vaga no programa.

Fiocruz:  Avenida Brasil, 4365 – Manguinhos – Rio de Janeiro – CEP: 21040-360

Telefone: (21) 3865-9553

Existem, muitas vezes, programas e projetos de pesquisa de hospitais veterinários de universidades que também realizam trabalho parecido. Procure se informar se existe algum programa na sua região.

 

Vivian Lage de Oliveira
CRMV-RJ 10858
Especializcação em Clínica Médica de Pequenos Animais
Formada pela UFF
Pet Paradiso: 3ªs, 6ªs e Sábados
Rua Barão de Mesquita, 359
2234-7775 ou 2574-9589
esporotricose_ipec_dib

18 comentários em “Dica de Cuidado – Edição Especial – Esporotricose

  1. Borges, conheço alguns casos de humanos que acabaram contraindo a esporotricose ao tratar de um animal contaminado, e tiveram que se tratar juntos. Realmente o tratamento não é dos mais baratos, mas também não é nada impossível! E é demorado mesmo, mas eficiente! Os casos que conheço são justamente de pessoas que resgatam e cuidam de animais de rua. Acho que seria bom colocar uma fotinho de um animal com esporo (não muito avançada, pois as lesões ficam realmente muito feias) e depois com ele já curado, pra que todos possam ver que tem cura sim! E se conscientizem e levem seu bichano ao vet sempre que surja qualquer probleminha insistente! O texto está ótimo! bjs!

    • Boa ideia Samira, ia ficar bacana uma foto do antes e depois.
      E realmente tratar fungo é um saco, as vezes nossas células são mais afetadas do que a deles =/
      bjs tia

    • Olá Samira,
      eu enviei ao Borges algumas imagens, mas ele ficou tão em choque que achou melhor não coloca-las.
      Mas acho ótimo sua sugestão. Acho importante os proprietários estarem atentos a isso.

      Beijos

  2. Eta Borges adiantando matéria en..hehe, será que a BAND Fm daí tem um site para que eu tbm possa ouvir a rádio aqui em casa?
    Tomará que eles não falem besteiras, as vezes uma palavrinha errada causa uma onda de abandono enorme!!
    Obrigada pelas informações tia Vivian, mas será que meus gatinhos podem pegar sem ter acesso a rua mas brincando no jardim daqui de casa?

    Beijoss

      • Não só os meus gatos mesmo, moro em casa sem acesso a rua. Será que pardais tem perigo de contrair o fungo e passar para os meus gatos?

          • Oi! Meu gatinho esta ha mais de um mês em tratamento contra a Esporotricose, as primeiras feridas cicatrizaram e agora abriu uma outra, mas que tambem ja esta fechando. Ele nao é castrado, vivia na rua e brigando. E agora fica a noite toda miando querendo ir pra rua brigar. Ele pode ser castrado enquanto esta em tratamento?

        • Eu to aqui!!!!!
          Juro que estou tentando acompanhar as postagens, mas acompanhar mais de uma por dia anda meio difícil e depois quando vou olhar tem um montãooo de post pra comentar..
          Hehehehe

          Mas essa gatidade eu não largarei jamais!
          🙂 😉

  3. olá tenho 11 anos e peguei esporotricose da minha gata pois ela pegou e eu cuido dela aii acabei pegando mais ela ñ me arranhou , mordeu e eu ñ toquei nas lesões delas , acabo que eu tenho que tomar o remédio ITRACONASOL e é o mesmo a minha gat acho que o remédio ñ esta fazendo efeito pois esta se alastrando pelo meu braço isso é normal ? oq devo fazer ?

  4. Boa Noite

    Meu gatinho caiu, brigou e apareceu com uma ferida na boca ela fecha e abre mais quando ela abre sempre ele está entre brigas ou caiu já passeo azul dimetileno trock cicatrizante e nada to super nervosa
    pode ser esporiotricose.

  5. Bom dia. Fui contaminada por minha gata quando fui tratar de sua ferida, quando dava banho nela me arranhou. Mas não sabia o que era, um amigo que faz um trabalho de divulgação da doença em minha cidade me alertou para a doença quando passava pela rua…Graças a Deus por isso. Logo corri ao veterinário e infelizmente minha gatinha foi sacrificada. Depois de quase 20 dias comecei a apresentar algumas lesões no braço e corri para fazer o tratamento com Itraconazol. As feridas agora estou imergindo em muito gelo pois notei que o gelo está diminuindo a inflamação. Espero que tenham cuidado pois está havendo um surto e muitas pessoas desconhecem a doença. As feridas parecem como cabelo inflamado, dai você tenta estourar e só piora a situação, logo depois fica avermelhada e endurecida em volta e começa e inchar formando uma queloide que depois começa a abrir. Espero estar curada daqui há alguns meses, pois por causa da divulgação sobre a doença pude tratar logo no início.

  6. Boa noite!
    Acabei de ler este artigo e gostaria que respondesse esta pergunta.
    Eu peguei está doença (esporotricose ) , a lesão está no meu dedo médio da mão esquerda, vai estendendo uma vermelhidão empolado por cima da mão e no anti braço vai seguido como se fosse uma fila de caroços. Isso doe muito e eu percebi que se enrola com gases doe menos… Então eu te pergunto: posso fazer um curativo?
    Antes de vc falar pra procurar um médico. Eu já fiz isso é estou tomando remédio.

Deixar um comentário