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Encontro de famílias

Um hábito comum nas famílias é sentar-se ao redor de um álbum de fotografias e relembrar o passado. Como ainda não inventaram a máquina do tempo e nunca inventarão (senão veríamos viajantes do futuro por aqui), ficam ali, emocionadas famílias viajando ao passado, pois o passado, não importa qual seja, é sempre melhor. Melhor, justamente por não existir mais. Afinal, todas as coisas que não existem são melhores, inclusive a máquina do tempo.

Aqui em casa, há um exercício um tanto diferente: papai senta-se comigo na biblioteca e vê álbuns de fotografia de um outro Borges: “Veja, filho, este é o escritor em Buenos Aires. Este é o Borges dando uma entrevista em Madrid. Este é ele com seu gato.” E assim, passamos a tarde navegando por passados de outra família e confundindo-a com a nossa. Já não sei mais quem são os Borges por nascimento e os Borges por opção.

Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

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Encontro de Borges

 

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A família Borges

5 comentários em “Encontro de famílias

  1. Ah Borginho,
    Este é um hábito que em breve deve acabar…
    Com a fotografia digital, muito do charme das fotos teve fim.
    Antes as pessoas posavam para fotos, pois não iam querer gastar filme á toa. Depois tinha a expectativa da revelação: será que as fotos ficaram boas? Será que queimou alguma? No final as fotos eram organizadas com carinho em álbuns e de tempos em tempos as pessoas iam fazer uma sessão nostalgia…
    Hoje não tem mais nada disso. As pessoas tiram milhões de fotos, olham na hora se ficaram boas, deletam a metade. salvam a outra metade em alguma rede social, criam uma overdose de imagens geralmente feias e improvisadas e se esquecem dessas fotos rapidinho. Pra depois começar tudo de novo…
    Afff…………… Vai se acostumando, tá? O nome disso é modernidade.
    🙁

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