Escrevendo pra fora 4

Fãs,

Eu, Borginho, fico tão feliz em escrever para novos leitores e para meus sempre leitores: vocês. Mais uma vez, as tias do Adote um gatinho me chamaram e fui lá. Para minha surpresa já tem gente pedindo livro meu em parceria com eles, hehehe. Olhem isso:

Eu adoraria escrever um livro para vocês! Espero que um dia realizemos este sonho. Enquanto isto, fiquem com o meu novo texto na adote um gatinho que colo abaixo:

Um domingo felino

Fãs e novos leitores,

Um gato é como o sol, o dia começa quando ele acorda. Aqui em casa também é assim. Eu sou o primeiro a acordar, dou uma lambida na água assim como um humano toma uma xícara de café, depois lambo as patas e levo ao rosto para tirar as remelas. Olhos desimpedidos, leio o jornal. O próximo passo é acordar a Christie que está sempre dormindo de barriga pra cima em um buraco qualquer. Eu consigo encontrá-la seguindo o som do ronco. Depois, vamos os dois até o quarto dos nossos pais. A porta é de correr, torna tudo mais fácil. Coloco duas unhas da pata direita para fora, enfio no espaço entre a porta e o batente e puxo, clec. Ela abre. Mamãe dorme do lado direito, papai dorme do lado esquerdo. Christie e eu disputamos quem vai ter o direito de deitar em cima da mamãe. Tiramos sempre no par ou ímpar e eu, claro, ganho. A Christie ainda não reparou que eu sempre coloco os números depois. Melhor assim. Pra ela, sobra sempre o papai.

Quando já estamos quase pegando no sono de novo, mamãe acorda. “Ai, Borges, já veio você me acordar, hoje é domingo.” Mamãe fala como se fosse brigar, mas eu sei que essa é a forma dela de dar bom dia. Ela me carrega no colo, abre a torneira do banheiro, eu tomo mais água, depois ela me dá comida. Papai e Christie acordam com o barulho da ração caindo na tijelinha. Na verdade, a Christie acorda, se espreguiça enfiando as unhas na barriga do papai, aí sim é que o papai acorda. De manhã, mamãe gosta de contar as coisas com as quais sonhou e de comer pão quentinho. Papai senta no sofá, pega o seu cachimbo, carrega com detergente e fica fazendo bolinhas na janela. Outro dia, papai fez uma bola de sabão tão gigante que a Christie conseguiu ficar dentro dela e flutuou por uns 3 segundos. Amo as manhãs com meus pais, pois tem cheiro de pão com manteiga, gosto de ração de carne e ainda podemos ficar apoiados na redinha da janela vendo as bolinhas de sabão voar que nem saborosos passarinhos.

Pouco antes da hora do almoço, enquanto todos nós conversávamos sentados no sofá, a Christie que não sossega nunca, pisou no controle remoto e ligou a televisão.  Que tamanho azar, pois a TV ligou no canal de um sujeito de roupa engraçada e voz letárgica que dizia que os gatos são traiçoeiros. Mudei de canal na mesma hora e surgiu um menino que era entrevistado e contava como foi ser arranhado por gatos e de sua alergia a pelos de gatos e também como era sofrer de toxoplasmose. Apertei de novo o botão e caí num seriado de televisão em que uma vilã de cabelos despenteados arrancava pelos de gato preto para fazer uma magia negra. Mudei de canal, pela última vez, e um sujeito, de terno e gravata, frisava olhando com uma mirada científica para a câmera: “gatos são apegados a casa e não aos seus donos!” Desliguei a TV ofegante. Papai, mamãe, Christie e eu, estávamos mudos e não conseguimos trocar palavras. Almoçamos em silêncio.

Nesta mesma tarde de domingo, papai e mamãe tiravam uma soneca da tarde, enquanto isto, eu escrevia, com a ajuda da Christie, uma carta de pedidos de desculpas. A carta dizia o quanto nós amávamos muito nossos pais e pedia perdão por sermos tão violentos, contagiosos e traiçoeiros. Christie sugeriu também que a carta dissesse que queríamos muito ficar ao lado deles e que se algumas vezes brincávamos de arranhar o sofá, dormir em cima das prateleiras ou debaixo da cama, isso não significava que éramos mais apegados a casa. E acrescentou: “coloca um pedido especial de desculpas por mim, Borginho, pois eu além de ser gata ainda sou preta.”

Novamente acordamos nossos pais. Entregamos a cartinha. Mamãe leu em voz alta no quarto e chorou. Achei que ela fosse colocar a gente pra fora já que tínhamos consciência do mal que fazíamos e da ameaça que somos. Só que mamãe rasgou a carta em picadinho, jogou pro alto e deu um abraço na Christie e em mim ao mesmo tempo. Disse que as coisas que vimos de manhã faziam parte de um filme de terror e que não eram verdade. Christie fez festinha com papai, ronronava em Fá. Eu subi no colo de minha mãe e só não escrevi outra carta naquele momento, pois o amor que sinto só poderia ser demostrado arrastando meu rosto no seu. Naquele exato momento tão feliz, concordei com uma coisa das que ouvi de manhã: gatos são mesmo apegados a casa. Minha casa é o colo da minha mãe.

Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

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11 comentários em “Escrevendo pra fora 4

  1. Ai, ai, Borginho…
    Está numa fase inspirada para nos emocionar!
    Outro texto muito lindo, que aborda com leveza um assunto muito sério: o preconceito que ainda existe contra os gatinhos.
    Ainda não posso falar por experiência própria, mas os gatos trazem muitas alegrias às pessoas que convivem com eles.
    Ainda bem que cada vez mais isso está mudando, os gatos estão quase ultrapassando o número de cachorros como o bicho de estimação preferido aqui no Brasil.
    Beijos, lindinhos!
    Bom feriado…

  2. às vezes me pergunto se quem diz essas coisas todas sobre gatos conviveu ou convive com gatos. Penso que~tal convivência é compessoas falsas, traiçoeiras, que nada sabem sobre amor incondicional, carinho e afins, tão oferecidos a nós pelos gatos de forma tão simples… Parabens pelo texto, Borges, quem sabe um dia esse grupo de “humanos” descubra realmente como é conviver com gatos.
    Abs,
    Adriana Santos – BA

  3. Como faz pra parar de se emocionar contigo? Texto lindo demais!
    Cada dia mais apaixonada!
    E sobre o livro será um sonho realizado não só seu como de muitas fãs que te amam…inclusive eu.

  4. óunn queridos… adorei e é isso mesmo… vcs não fazem nada disso, isso é coisa de filme de terror daqueles bem mal de qualidade, a nossa felicidade é ter vcs todas as manhãs fazendo ronron, ou dormindo ao nosso lado, pedindo comidinha, brincando com os irmãozinhos!!!!

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