626

Final da Copa

Olá, fãs!

A Copa se foi e foi assim: meu pai no sofá, de camisa da Argentina e boina, levanta do sofá a cada ataque. Minha avó e o Grey torciam para a Alemanha. Minha mãe e Christie mexiam nos seus celulares e às vezes olhavam para televisão. Papai me incentivava a torcer: “Arriba, Borgito, grita a Argentina que es el país que te nombró!” Eu até arrisquei um grito ou outro, tentei roubar a bola dos alemães, mas, como vocês sabem, não gosto muito de futebol, muito menos dessa coisa de torcer por este ou por aquele. Eu não me sinto brasileiro, argentino ou alemão. Me sinto gato. Acho estranho que um humano possa se sentir mais isto ou aquilo só porque nasceu sobre um punhado de terra: “Ah, eu amo os brasileiros, o futebol, o feijão e o samba porque nasci nessa terrinha aqui, se eu tivesse nascido lá no sul do continente, aí eu ia odiar tudo isso!” E nesta minha primeira Copa ninguém jogou pra mim e tampouco eu queria isso. Fiquei abismado com os clichês e, muitos provaram o quanto gostam de caricaturas: os alemães eram frios, calculistas, racionais, táticos… aí descobriram que eles não eram tão frios assim, mas continuaram sendo os racionais e táticos. Já os argentinos são os baderneiros, como se não houvesse baderneiros em nenhum outro país do mundo (incluindo o nosso) e nunca entendi onde começou essa implicância com os argentinos… E eles eram os racistas, como se no Brasil e na Alemanha também não existam racistas. E, então, o Brasil tomou de sete a um e foi a vez de calcular a quantidade de Nobel da Alemanha, como eles estão à frente em saúde, educação. Descobriu-se que estas são as verdadeiras derrotas e começou toda a politização que se gosta de fazer quando se perde no futebol. Mas, não vi um maldito humano dizer: “eu ganharei o próximo nobel para o Brasil!” As pessoas que vi compartilhando isto, no geral, mal sabem o que é um Nobel… e de que porcaria serve um Nobel? Jorge Luis Borges, por exemplo, o autor que me deu nome, nunca foi premiado com um Nobel e foi o maior autor da Argentina, possivelmente da América, possivelmente do mundo e aí já começo a ficar passional. hehe. Mas o que digo com tudo isto, fãs? Digo que vocês não são brasileiros, não são argentinos, não são alemães. São humanos! Então, não deixem que as fronteiras os impeçam de saborear a filosofia alemã de Hegel e Benjamin, a literatura argentina de Borges e Cortazar, a voz de Mercedes Sosa, o teatro de Brecht e o futebol de ambos.

Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

628
Comecei a olhar o jogo para ver no que ia dar…
627
Até tentei gritar pela Argentina, incentivado pelo meu pai

 

626
Ajudei na marcação do alemães… mas no final desisti!

 

8 comentários em “Final da Copa

  1. Perfeito Borges. Não deveríamos continuar alimentando rivalidades com outros países, afinal os argentinos são nossos vizinhos.

  2. Eta, eta, eta, eta…. É a lua, é o sol, é a luz de Tieta, eta, eta!!!!!!!!!
    Adorei a vitória da Alemanha!
    Foi a vitória do carisma!!!!!!
    😉

  3. Eu tb torci pela Argentina, mas porque o futebol deles é muito bom de se ver, acredito que Alemanha, Argentina e Holanda empataram todas em primeiro lugar, equivalentes, nossa seleção é que não devia estar entre as quatro, enfim. Nunca vi os hemanos como adversários, não me incluo nessa implicância que começou lá na época do tratado de Tordesilhas, por causa de disputa de terras entre Espanha e Portugal, isso foi em 1494. Foi ótimo torcer junto a torcida argentina,(moro em Florianópolis, e aki tem um bairro muito procurado por eles) eles são educados, apaixonados e muito animados.

    • Muito obrigado!! Comprenda que os agentinos somos muito “cargosos” por isso foi o canto de “Brasil decime que se siente”, é só uma brincadeira, nos adoramos o futebol e torcer por a seleccao. Apreco muito seu apoyo.

  4. Não vou mentir, gostei que a Alemanha ganhou. Merecido!!!!
    E enquanto tiver humano vai existir essas rivalidades Borginho. Fato!
    Por isso aproveite a sua vida de gato. : )

  5. Borginho, recién hoje leo o texto tudo… Eu ficaba triste por a derrota da Argentina. E é este o último texto que leo sobre o mundial. Seu texto me pareceu muito lindo, muito real, ao final as fronteras nao importan, deveriamos respeitarnos e querernos como vizinhos que somos. Os argentinos somos muitos “cargosos”, nossos cantos sao só de brincadeira, mais muitos paises pareceron nao entender isso e enojaron-se com nós e torceron para a Alemanha, eu arrepente-me de torcer pra Uruguay, pra Chile, e pra todos os latinos que torceron em contra da Argentina 🙁 . Saludos para teu pai!! Muito obrigado por torcer por nós!! Se valora muito que um brasileiro lo haga. (disculpe meu portugués, é muito malo).

Deixar um comentário