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Futebol e a filosofia do óbvio

Fãs,

Futebol é permeado por suas filosofias e poesias. Os cronistas da bola gostam de poetizar os lances da partida: se a matada no peito deu certo dizem: matou com o coração; se deu errado: a bola veio no peito como um tiro. Futebol é a filosofia do óbvio, é dizer aquele maior clichê e fazê-lo parecer inovador: “O futebol é uma caixinha de surpresas” parece uma frase qualquer, mas dita numa partida em que a Alemanha vence de 7 a 1 do Brasil, numa semi-final de Copa do Mundo, torna-se uma frase que faz todo o sentido. Gosto de coisas óbvias, pois a vida é óbvia e o óbvio, dito com voz grossa, parece sabedoria. Digo, então, e passarei a colocar em negrito, todas as frases óbvias ditas com voz grossa, ou seja, filosofia: Tudo é inédito até que aconteça. E assim foi, um Brasil boquiaberto diante dos sete gols da Alemanha e superando o Maracanã de 1950. Há, pelo menos, duas formas de se entrar para a história humana: como herói ou como vilão. E mais clichê que um vilão, só um herói. E assim foi. Pelo meu Facebook felino vi todos os tipos dos discursos: os que falavam contra a Copa, os que falavam pró-Copa, os que fingiam não se importar. O certo é que presenciamos um momento histórico para os humanos e lá em 2064 se falará desse jogo e se lembrará desse time e talvez você dê uma entrevista para a tv dizendo como foi ser um brasileiro que acompanhou essa grande goleada. E lá pelo ano de 2102, o Brasil perderá de 8, 9 ou 10 gols para a Alemanha da vez e já nos esquecerão. Não se esquece uma tragédia com uma vitória, mas com outra tragédia pior. Barbosa, o goleiro de 1950, tão criticado, agora nem será mais tão lembrado, que descanse em paz. Lembraremos agora de Felipão, Fred e outros monstros dessa Copa, isto porque o passado mais recente é sempre o passado mais importante. Então, não lamentem por agora as derrotas futuras, tampouco se regozijem na derrota presente aspirando alguma imortalidade histórica. Seus netos verão derrotas piores e nós seremos, simplesmente esquecidos, afinal, o que são 7 gols diante de 10. Resta-nos dormir, comer e buscar alegria em coisas ainda mais simples que um jogo de futebol: no deitar no sofá, em ganhar carinhos, em olhar pela janela. Estes são prazeres que não trazem nunca derrotas, são os mais recomendados por agora enquanto não esquecemos de tudo.

Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

Boquiaberto enquanto saía os gols da Alemanha:

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7 comentários em “Futebol e a filosofia do óbvio

  1. Borginho,
    A explicação para a derrota do Brasil hoje é simples: É proibido comemorar qualquer outra coisa no dia 08/07 que não seja meu aniversário. Proibido.
    Foi isso. Simples assim.
    😛

  2. No quinto gol da Alemanha, pra não despencar no choro, fui para o meu quarto e me afoguei na barriga da minha gatinha, ela escondida debaixo da colcha por causa dos fogos e eu escondida com vergonha, misturada com tristeza, sei lá…

  3. Se houve algo lindo nessa derrota, foi vc, assim boquiaberto! Aqui em casa, Tapioca nem quis saber. Dormiu o tempo todo, em cima do modem da tv, no quarto. Acordou com uma fominha, comeu e voltou a dormir… Menina sábia! <3 Tô meio borocoxô… 🙁

  4. hahahaaah Primeiro: ADOREI sua carinha!
    Depois, seu texto está ótimo (como sempre, aliás)
    Por fim, morri de rir com essa sinceridade felina explicando que a derrota de agora não é nada perto de uma que pode vir no futuro! (embora eu estivesse torcendo pelo 10o ontem mesmo hahahahahah)

  5. Gente adorei Borginho. Melhor texto que eu poderia ler sobre essa derrota.
    E outra de uma coisa eu tenho certeza esse texto fica na minha memória.
    E essa foto boquinha aberta hein?

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