296

Leitura do tempo

Fãs,

O relógio pode marcar o tempo, mas ele não lê o tempo.

O relógio diz pra gente: são 3 horas, mas ele não diz nada sobre elas.

O relógio todo dia, viaja do 12 ao 12 duas vezes e não faz nenhum juízo de valor sobre a viagem, não diz se foi boa, se foi ruim, nos nega qualquer opinião.

Eu não sou relógio. Não sei marcar o tempo. Outro dia, fui brincar de pique-esconde com a Christie e comecei a contar até 60. Quando olhei o relógio, não tinham passado 60 segundos. Minha contagem é mais rápida que a dele, às vezes até mais lenta, mas nunca é igual. Porém, em compensação, eu sei ler o tempo, coisa que o relógio não sabe. Ler o tempo é olhar pra ele e falar se a hora foi rápida ou demorada, se foi boa ou ruim, é interpretá-lo, enxergar os ganhos e perdas. A diferença é que para o relógio, uma hora é sempre uma hora, para a gente não. Existe hora que não vale de nada e existe hora que vale uma vida. O relógio, se funcionando corretamente, jamais marca a hora errada. Nós, até quando estamos bem, fazemos leituras erradas do tempo.

Passei o sábado olhando fotos antigas. Pensei coisas que acertei e errei sobre mim. Não imaginei conhecer as pessoas que conheci, viver as coisas que vivi. Mas outras, em compensação, não só imaginei, como sonhei. Hoje, meu pai tirou uma foto minha lendo um conto no computador. Tremi. Tremi ao pensar que em algum lugar do tempo eu já estou novamente vendo fotos antigas e esta foto que ele tirou hoje já não é uma foto recente, é uma foto antiga, repleta de lembranças e de esquecimentos. O gato Borges que olhará essa foto, será outro gato Borges que não este, mais maduro, mais experiente, talvez sequer trema diante da foto. Papai tirou uma foto que mais do que me mostrar o presente, me fez pensar o que será de mim no futuro.

Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

296
Em cima, esquerda: 19 de outubro de 2012. Lendo Funes, O Memorioso de Jorge Luís Borges.
Em cima, direita: 27 de setembro de 2011. Lendo A um gato. De Jorge Luís Borges.
Embaixo: 13 de abril de 2013. Lendo a Biblioteca de Babel de Jorge Luís Borges.

 

 

9 comentários em “Leitura do tempo

  1. Mais um texto lindo, Borginho …e que faz a gente parar para pensar e refletir bastante .. Lambeijokas

  2. Borginho… vc lê o tempo… nossos pensares e quereres… e os transforma em palavras… em textos lindos como este… obrigada… <3

    • Concordo, como sempre, tia Bia…. 😉
      Borginho sabe o que os fãs gostam e sempre nos presenteia com maravilhosos textos para que nossos dias comecem melhores!!!!
      Sem o Borges muitos dias meus seriam mais chatos e talvez até menos alegres.. Mas que bom que te descobri nessa enorme rede mundial, a família de bichanos mais querida do Brasil!!!!!
      Lambeijos em todos!!!!!!!
      bjin tia Bia =)

      • Bjinhos pra vc também, Alexandra! Sabe, quando estou aqui no blog, no Facebook, interagindo com o Borginho e com os fãs, já me sinto na Gatidade… Parece q a humanidade fica até melhor, tendo esse espaço pra Gatidade na minha vida… Louco, isso?? Acho q quem é da Gatidade me entende… Ótimo dia!

        • Entendemos sim Bia!! É sempre muito bom poder interagir com outros fãs e poder nos aprofundar mais na gatidade!!
          Tem muitas tias, assim como vc, que eu gosto bastante..eu não tenho face, mas só de ver vcs aqui no blog já fico feliz!!!!
          Bom restinho de semana 😉

  3. Tem horas que é melhor ser como o relógio mesmo…
    Senão, a gente fica doida de tanto pensar….
    😛

  4. Borges, seu post de hoje remete a Oração do Tempo, de Caetano Veloso… “(…) Tempo, tempo, tempo/ És um dos deuses mais lindos/Tempo, tempo, tempo (…)”. AdOOrei!

  5. Por isso que é bom sempre ter um livro por perto né Borges? Não se esquece a própria essência, mesmo que o tempo passe mais rápido do que se imagina.

Deixar um comentário