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Não é que sejamos…

Fãs,

Não é que sejamos fofoqueiros, é que, na verdade, buscamos histórias. Sem dúvida, foi uma pessoa bem sem graça que inventou o termo fofoca. Ela não deveria saber narrar. Pois, fofoca não é simplesmente o ato pejorativo de prestar atenção na vida dos outros. Fofoca deveria ser uma palavra benéfica, pois visa interpretar a alguém a vida de outrem. Minha irmã e eu ficamos na janela. Às 10h, a vizinha do 203 recebe um homem alto, forte e de barba mal feita. Isto acontece logo depois que seu marido sai. Fofoca visa minimizar o que minha irmã e eu fazemos. O que fazemos é arte: ficamos atentos aos passos da vizinha e, depois, buscamos narrá-lo em discurso indireto para a mamãe. Sendo assim, é pura arte. Para mim, o homem barbudo que chega logo após a saída do marido, é o irmão da moça que, muito carinhoso, não consegue passar um dia sem ver a irmã, mas evita esbarrar com seu cunhado, pois eles não se dão. Para minha irmã, o homem barbudo é o faxineiro da casa e ele vai ao lugar para limpar e deixar tudo bonitinho até que o marido volte. Entretanto, quando contamos a história para mamãe, ela não concorda com nossas versões: ela ri às gargalhadas, balança a cabeça negativamente e fala: “vocês são muito inventivos”. Viram, fãs! Talvez fofoca não seja o que se fala, talvez fofoca seja justamente o que não se fala, o que passa na cabeça da mamãe.

 

Ass.: Borges, o gato

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7 comentários em “Não é que sejamos…

  1. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Borges e Christie – cobertos de razão, como sempre! O discurso indireto de vcs é pura arte! E os vizinhos são super legais! Será q tds aí já conhecem o blog? Não sei, mas acho melhor ficarem na ignorância… #SóAcho kkkkkkkkkk

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