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O monumento e seu guardião

Fãs,

Nada mais justo que um monumento a um gato seja erguido em um travesseiro. Assim foi comigo quando uma fã resolveu eternizar-me ali, naquele objeto de sono. Tenho zelado por ele, dia após dias, dormindo ao lado dele, sobre ele e até embaixo dele. Porém, muito ciumenta e sempre com coceira nas gengivas, minha irmã quer desmonumentar-me. Já falei para ela que não quero as pontas do travesseiro mordidas, arranhadas ou perfuradas de qualquer forma. Mas, não adianta, se tiro um cochilo mais profundo, lá vai ela mordiscar minha efígie de pano. Resolvi, então, ensiná-la a coçar a gengiva no coçador de cabeça do papai. O seguro com as patas e passo, nele, minhas gengivas. Não adianta, Christie não quer. Disse que prefere o pano, pois parece-lhe mais tradicional e que os gatinhos não deveriam render-se aos coçadores de gengiva forjados em ferro. Tenho ficado ali, feito um guardião sobre a torre, impedindo que meu monumento sofra um ataque dentário de minha irmã.

Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

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