Pela janela

Todo dia de manhã é igual. Mãe sai pra trabalhar, eu acordo pai na cama. Pai levanta, abre a torneira do tanque. Eu bebo água, pai toma café. Ele pega o laptop, eu mio. Ele abre a janela, eu mio de novo. Ele coloca  um banquinho, eu mio uma vez mais. Aí eu subo no banco e fico horas e horas sem fim olhando a rua. Vejo umas crianças diferentes de mim. Pergunto pro pai porque elas não são peludas. Ele diz que é porque elas não são gatos. Eu olho elas tão felizes na rua, eu não consigo entender como elas gostam assim de rua. Eu nasci na rua e vivo em casa. Elas nasceram em casa e vivem na rua. Sou uma criança tão diferente… papai diz que eu vou ser sempre criança assim, que nunca vou crescer. Mas já me disseram que todo pai é assim, que ele nunca acha que seus filhos vão crescer. Mas um dia coloco meu terno e vou ser alguém.

Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

6 comentários em “Pela janela

  1. Borges, tenho uma filha igual a você (a diferença é que ela tem olhinhos azuis!) que também fica todos os dias na frente do portão de casa olhando a rua, só observando. =)

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