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Peteca

Humanos,

O mais próximo que chego de uma ave é uma peteca. Quando tento na janela, as telas me separam. Quando tento me aproximar do frango da mesa, minha mãe me separa. O pássaro que aparece na TV está sempre tão intangível. Eu queria ter a oportunidade de brincar 10 segundos com uma avezinha. Não precisava ser um avestruz, podia ser uma ave miúda mesmo, um pardal. Pra tentar matar essa vontade, minha mãe me deu uma peteca. Não me satisfez. Deve ser a mesma sensação se um humano se casa com uma boneca inflável. Mamãe tentou também um cocar, um espanador, uma fantasia de carnaval. Achei todos sem graça. Afinal, não são as penas que me interessam, mas sim a liberdade e o voo dos pássaros, que eu poderia adquirir, quem sabe, se os conhecesse mais de perto.

Borges, o gato

 

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