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Proibido a entrada de humanos

Fãs,

Pois há um momento em que precisamos do nosso próprio espaço. A caixa de papelão é um refúgio, é nosso abrigo: como o vagão feminino do metrô, como as igrejas batistas do Harlem, como a Liberdade dos japoneses. A caixa de papelão é um mundo nosso, livre de humanos. O gato que nela entra sabe que é como entrar no armário que leva à Nárnia, como entrar num cérebro de Quixote, como viajar com Barão de Munchausen. Todos nós temos nossa caixa de papelão: alguns o sofá de casa, outro os braços da esposa, ainda outros a garrafa de cachaça. Há momentos que são só nossos e vão além de estar de cócoras na caixa de areia: são momentos em que nos encontramos conosco e nos fazemos companhia. Nestes segundos todas as solidões são acompanhadas de egos e nos bastamos para logo depois voltar ao mundo a todos os outros segundos do relógio.

Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

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3 comentários em “Proibido a entrada de humanos

  1. Concordo totalmente, Borges. Às vezes, a solidão, o recolhimento, é necessário. A imagem “cócoras na caixa de areia” foi perfeita!

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