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Quando pensar fora da caixa é pensar na caixa

Fãs,

Virou um clichê: “temos que pensar fora da caixa.” É tão clichê que todo mundo que fala isto já está encaixotado também. Conhecem aquela boneca russa, chamada matrioska?? É como se fosse uma matrioska de caixas, uma caixa dentro da outra, dentro da outra, dentro da outra. E quando se pensa que se saiu de uma caixa, na verdade, só se acabou de chegar a outra.

Humanos possuem caixas em que organizam seus pensamentos. Desde o bisavô Aristóteles que os humanos querem guardar tudo dentro de caixinhas: caixas para animais, caixas para vegetais e, com o tempo, outros humanos foram criando novas caixas e dentro delas tinham outras caixas: dentro da caixa animais está a caixa mamíferos, ovíparos, carnívoros, herbívoros etc. etc. etc.

Quando um gato fala, escreve, usa internet, ele é o quê? Aí faltam caixas, os humanos ficam confusos. Logo apontam: você é uma aberração!!! Há um humano escrevendo por trás de você! gatos falantes não existem! É triste, mas é o que ouço. É que eles não estão acostumados a entender que nem tudo pode caber direitinho nas caixas que eles criaram. Fico imaginando o trabalho que a galinha deve ter dado para entrar em uma caixa: a caixa dos passarinhos que não voam. E o ornitorrinco então? Quantos séculos os aristotélicos devem ter levado para colocá-lo em uma caixa?

Caixas pra mim são boas para dormir desde que eu possa sair delas quando quiser. As outras caixas, aquelas caixas de Aristóteles, eu resolvi usar como caixinha de areia e enterrar nela meus cocôs.

Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

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Christie estava dentro da caixa: a caixa dos felinos, dos pretos, dos quadrúpedes, dos mamíferos, dos animais. Caixas que os humanos criaram para controlar o mundo que é incontrolável.
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Falei pra Christie que poderia ensiná-la a pensar fora da caixa. Mas, ao sair daquela, já estaríamos em outra, essa grande caixa que possuem como paredes os olhos dos outros.
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Então ri e falei: o que acha de enterrarmos um cocozinho na caixa do Aristóteles?

 

10 comentários em “Quando pensar fora da caixa é pensar na caixa

  1. Muito bom Borges! Estava hoje mesmo conversando sobre as diversas restrições em que as pessoas insistem em viver, e como dificultam e limitam a vida… Enfim, adorei o texto! Me chama que levo o Toth, Jim e Jujuba pra participarem da casquinha na caixa de aristoteles! Rsrsrs Beijão!

  2. Nossa, Borginho… cada dia admiro mais vc, sua essência e sua filosofia Borgiana! Gatidade já! #prontofalei! Bjs pra vc, Christie, Grey e família humana!

  3. Muito bom o texto Borginho, direto e elegante! Adorei! Estamos vivendo a fase pós-moderna e pós-estrutural. Abaixo as caixinhas!! Só vamos deixar as de papelão msm!

  4. Genial, meu lindo. As pessoas insistem em nos colocar em caixa, isso quando elas mesmas não se aprisionam em uma. Faz bem vc em usar como caixinha de areia, muito sábio, lindinho.

  5. Borges, sempre elegante 🙂 Como a Beatriz disse admiro cada vez mais o seu modo de ser e de pensar. Adorei sua filosofia sobre caixas, caiu como uma luva.
    E a tia aqui falando em pensar fora da caixa 🙁 vou trocar o disco…rsss
    Um beijão lindão. E deixa a caixa dos humanos de fora de suas preocupações, por que como diz uma amiga, se cobrir com uma lona vira um circo e se cercar vira um hospício…rssss. Lambeijos em você e na Christie.

  6. Borginho,
    Um tapa na cara da sociedade!!! VRÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!
    Principalmente na cara de quem não entende brincadeira de gatinho, como querer comer coelhinho!!! hahahahah
    Vc é brilhante!

  7. Achei bem apropriado Borges, você é mesmo o máximo. Enterrar um cocôzinho na caixa de Aristóteles é MARA!! (maravilhoso!!!) O Aristóteles achava que a mulher tinha a cabeça vazia, e a tal democracia servia apenas para homens e gregos, excluía-se tudo o que era diferente. Ainda bem que conversamos com gatos que postam blogs, rimos e conversamos bastante com gatos -os seres superiores -, cachorros e outros animais, inclusive os homens..

  8. Adorei o texto Borges, você sempre com uma visão bem diferente das diversas coisas,muitas vezes simples, do nosso cotidiano…
    Parabéns meu filosofo mais gato 😉
    Lambeijos!

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