632

Sobre a política

Fãs,

Eu poderia vir aqui pedir o seu voto, mas não venho. Eu poderia dizer aqui em quem você deveria votar, mas não vou. Venho apenas dizer: vote caso queira, em quem queira ou não vote. Há dias tenho lido: “brasileiros são burros, não sabem votar.” Quem diz isso não é ninguém mais, ninguém menos, que um brasileiro. Brasileiros sabem votar, pois votar é apertar os botõezinhos mais claros e depois o verde. Uns podem não gostar do seu voto, dizer que defende um ladrão, um preconceituoso, um louco…  mas provavelmente você terá a mesma opinião sobre o voto do outro. Humanos, em época de eleições, se transformam em crianças, torcedores de time de futebol, bárbaros, dependendo da ocasião. Assim se distraem. Tentam arrumar maneiras de desqualificar o voto alheio: ele é pobre, ele é rico, ele é burro, ele é intelectualzinho… Quando, na verdade todo voto vale apenas um voto e justamente vale, pois cada pessoa é uma pessoa, já que seus heterônimos e alteregos não podem votar. Eu não voto. Papai ainda insistiu que eu deveria votar e ser o primeiro gato eleitor, mas meu interesse é zero pela política. Papai vem com uns argumentos brechtianos dizendo que o “maior analfabeto é o analfabeto político e que não votar é uma posição política”, pois que seja tudo isso. Não me sinto diminuído em ser um analfabeto político, tantos gatos são analfabetos até de escrita, eu pelo menos não sou. Minha política é felina: o mundo deve ser para comer, dormir e brincar. Quando um humano estiver em condições de pensar uma vida dedicada incondicionalmente a isto, eu paro para conversar política com ele.

Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

 

632

4 comentários em “Sobre a política

  1. Sempre sábio Borginho. Alias, tu seria um ótimo presidente e certamente teria o meu voto pois, adoraria dedicar a minha vida para comer, brincar (com os gatos) e dormir.

  2. AHHAAhahhahaha Ah Borges, bem que o mundo podia ser mais fácil assim!!! E vc está LINDÍSSIMO nessa foto!!! ♥

  3. Adorei!!!
    Acho mesmo que só seremos civilizados o bastante pra respeitar a escolha do outro e vermos as nossas igualmente respeitadas, quando formos capazes de nos desprender das preocupações irrelevantes e passarmos a nos dedicar a viver plenamente nossa simples condição de “seres vivos que almejam felicidade”.
    Um abraço meu pra vc, Borges. E um do Bob e mais outro do Abelardo (meus dois felinos, ou melhor, os dois sábios da minha casa!)
    >’.'<

Deixar uma resposta para Tânia Camargo Cancelar resposta