Sou feliz porque também sou triste

Fãs,

Deitado sobre o parapeito da varanda ouvi mamãe dizer de dentro da casa: “olha como Borginho tá feliz tomando vento!” Me perguntaram, do lado de fora da casa, se eu não era triste por estar sempre ali preso, parado, assistindo o mundo como se estivesse de frente para a TV. Mamãe está certa, sou feliz. A moça que passa também está certa porque sou triste. Como são as criaturas: ora felizes, ora tristes porque são complexas. Não sou o gatinho da depressão, tampouco sou o gatinho fofinho que deseja “bom dia, faces!” Sou todos os pêlos que perdi pela casa e os que ainda estão comigo. Sou feliz porque também sou triste.

Na vida, há dois tipos clássicos de seres que contam histórias: os que se vão, como os navegantes, por exemplo: chegam com lendas do novo mundo, com novidades, com descobertas. Os que ficam: contam as histórias da terra, mantêm as tradições, analisam o que está ao redor. Há gatos que se vão, são exploradores, desbravam a noite, as fêmeas, as lixeiras. Há gatos que ficam: eu. Penso sobre a tv, sobre a ração, sobre a areia higiênica. Talvez nada tão heroico quanto saltar sobre novos muros, mas confesso que gosto tanto do parapeito da minha varanda.

Há gatos que marcam seus pais humanos por morrerem em aventuras incríveis, eu marco minha mãe com minhas unhas ao me aventurar em seu colo.

Sou feliz, às vezes. Sou triste, às vezes. Pois quem é uma coisa só me parece tão idiota. O olhar é sempre momentâneo, é como uma foto: talvez quem olhe de fora me ache um gatinho triste, quem olhe de dentro me ache feliz. A vida é assim, como uma casa: há sempre gente a olhar de dentro e de fora.

Às minhas tias perguntadoras que são a parte feliz.

 Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

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17 comentários em “Sou feliz porque também sou triste

  1. Borginho…que lindo!!!!!

    E com isso acalmou meu coração, pois sempre me pergunto se é certo que o Bazinga fique aqui dentro da kitnet, ao invés de deixá-lo na rua, para voltar quando eu quiser.
    Fico com medo de que ele se sinta preso, injustiçado, e de estar sendo egoísta…

    Penso nisto muitas vezes ao dia, e fico muito triste por não poder morar em um castelo como o do Mário Gray, para que ele tenha mais espaço.

    Você, como sempre, muito assertivo, em seus miaus, ops, em suas palavras!

    =^.^=

  2. Tb sou feliz e triste, hoje por exemplo estive alegre e agora estou triste.
    Caiu como uma luva seu post de hoje Borginho.
    Beijos lindo, adoro tudo que tu escreve. Me faz bem…

  3. Borginho,
    Meus gatinhos são como tu. Às vezes eles até querem explorar o mundo além da nossa casa, mas quando aparecem outros humanos lá fora, eles saem correndo. O mundo é bom, os humanos são perigosos. Os humanos, os carros, os barulhos… pros meus filhotes, são ameaças. Pro outro gatinho preto que vive lá na rua, parecem grandes aventuras… e não dá pra dizer que um gatinho é mais feliz que o outro. Adorei teu texto.

  4. Borginho, seu texto me emocionou bastante, pois tive um gatinho assim, aventureiro, arteiro, desbravador … Ele foi o primeiro gato com quem convivi .. seu nome? Shun .. engraçado, mas fazia jus ao nome, um dos personagens dos Cavaleiros do Zodiaco, serie animada da qual fui espectadora assídua … hehehe
    Mas ele era mesmo um guerreiro, um explorador.. Na época não tinha experiencia com gatos e ele sempre dava um jeito de fugir à noite para passear, passar dias fora e voltar sujinho e faminto após rodar o mundo atrás de novas aventuras. Mas um dia Shun não retornou da sua jornada.
    Dias se passaram sem que tivesse notícias. Soube por um vizinho que ele havia se aventurado demais, como um pirata em busca do tesouro. Dele guardo a eterna lembrança e triste saudade. Bem, triste para mim, pois sei que ele foi feliz, ao seu modo … 🙂 Masno mundo em que vivemos, melhor ser poeta e filósofo do que aventureiro …;)Lambeijinhos, fofura!!

  5. Amei Borges! que poeta vc é heim gatinho! que texto sensível e tocante! Serve a todos os gatinhos e gatinhas que moram em apartamentos com telas, e ficam só a olhar tudo o que acontece “lá fora”, mas ainda bem que, como vc, fofo, disse: há os que olham de dentro, e os achem felizes!” Minhas 3 gatinhas são felizes como vc! bjnhos gatinho!

  6. Adorei o seu texto.Representa bem os sentimentos dos gatinhos.Também tenho gatos,3,e todos eles gostam de ficar na janela vendo o mundo lá fora,mas,infelizmente o mundo lá fora é um tanto perigoso e acho que apesar de tudo eles preferem mesmo é o carinho e o amor incondicional que compartilhamos.Bjsss.

  7. Bela reflexão Borginho! Tem um poema intitulado “Desejos”atribuído a Victor Hugo(há controvérsias)que gosto bastante.Segue um trecho: Desejo por sinal que você seja triste
    Não o ano todo,mas apenas um dia
    Mas que nesse dia descubra
    Que o riso diário é bom,o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

  8. Borginho… você trouxe calor pro meu coração e alento pra minha alma. Também sou dos que ficam – a observar, a escrever, a pensar, a pesquisar, a mais ouvir que falar. Nossa… Falta um pouco o ar. Sobra emoção. Você desperta o melhor de nós, as perguntadeiras. Você é parte da nossa felicidade, mesmo quando faz chorar… Seu texto me encheu de alegria e me fez calar. Vai entender! E o que cada uma das fãs escreveu aqui me fez perceber que os gateiros daqui tem todos alma de poeta. Mas os de lá também devem ter, porque não há como viver com um gato sem ser um pouco poeta… Meu amor feliz pra você, nesta madrugada… <3 Ah, quando cheguei em casa agora à noite a Tapioca estava toda saltitante e brincamos com fios, ratinho de pena no rabo, de bolinha com chocalho. Depois ela dormiu. Agora há pouco veio morder meu calcanhar – hoje ela está feliz…

  9. Borginho, minha mamis sempre se pergunta se eu e meus irmãos somos felizes morando numa casa fechada e vendo o mundo pela janela… Eu acho essa preocupação muito estranha (coisa de humanos), pois nós felinos não estamos preocupados com esse negócio de felicidade ou tristeza… Quando a gente quer dormir, dorme. Quando a gente quer comer, come. Quando queremos brincar, brincamos. Essa é nossa vidinha dentro de casa, e assim vamos vivendo nossa vida peluda e felina. Se eu pudesse falar com minha mamis o que eu acho das janelas cheias de rede de proteção, eu diria: adoro as redes! Elas são ótimas para escalar, nos ajudam quando queremos alongar nossos corpinhos peludos, e são ótimas para encostar e tirar um cochilo 😉

  10. Que lindo Borges nossa emocionante o teu texto,ate me fez pensar em dias que eu humana me sinto triste e outros feliz a vida é bem isso que vc fala no texto…lindo de maisssss
    Bom dia gatinho fofo lambeijokas gauchas pra vc

  11. Todos nós somos felizes e tristes, e esta dualidade é o que nos torna interessante. Parabéns pelo lindo texto.

  12. Nossa que lindo!! Amei!! Esse é um assunto que me deixa angustiada… Sempre me pergunto: será que Lilica é feliz morando em um apartamento? Mas é como você disse, há dias tristes e felizes!! E sei que no fundo ela é feliz sim, tem uma mãezinha aqui que a enche de mimos e carinho!!!! 🙂 beijos Borginho!!!

  13. Nossa Borginho o que dizer desse texto lindoo?? Adorei a frase da foto e realmente faz muito sentido!!!
    Que bom que as tias são sua parte feliz e é CLARO que é você quem alegra nossos dias, com lindos textos, nos fazem sentir melhor com uma simples crônica. Obrigada Borginho por compartilhar um pouquinho da sua vida conosco!! Não sei usar palavras bonitas mas é de coração…

    Lambeijo!!

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