Fãs,
Ontem, minha fanpage chegou aos 10 mil fãs. O número de gente é muito grande para um gato tão pequeno com pouco mais de um ano de vida. Com 10 mil pessoas eu poderia organizar um exército e invadir um país, mas não fui feito pra guerra. Com 10 mil pessoas eu poderia montar um shopping e vender produtos, mas não fui feito para o comércio. Com 10 mil fãs eu poderia fazer um grande show, mas não gosto de estar em público. Com 10 mil fãs eu só consigo pensar em fazer as mesmas coisas quando eu não tinha fã nenhum: só consigo pensar em comer um delicioso pote de ração fresquinha, dormir com a barriga pra cima, correr atrás de divertidos insetos, olhar a lua e deixar que ela me olhe disputando quem é mais branco. Não tenho nenhuma pretensão política, militar, comercial, religiosa. Sou um desprovido de pretensões que estejam além do teclado do computador e da cama. Ah, talvez eu tenha uma pretensão: escrever um livro, mas meu sono é maior que ela. Gostaria de poder ler todos os comentários dos fãs e saber seus nomes de memória, mas cada dia é mais difícil. Queria responder a todos os e-mails, mas isto já impossível faz um tempo. 10 mil fãs… 10 mil fãs… estivessem perto, serviriam para acariciar minha barriga, todos juntos. 10 mil fãs, estivessem perto, pediria um sachê para cada um. Ah, não consigo pensar como gente, não acho que pessoas tenham que servir pra algo. Acho que pessoas têm que ser como gatos: estão ali e que fiquem ali por algum prazer, sem necessidade de servir pra nada. Gatos são assim: pode-se acariciar, mas não servem exclusivamente pra isso. Pode-se brincar, mas não são brinquedos. Se a felicidade servisse pra algo, poderia se dizer que gatos são ferramentas de felicidade. Vocês são como gatos pra mim, são 10 mil fãs que servem pra felicidade.
Lambeijos
Borges, o gato – @borgesogato
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