Um ratinho cuja alma foge

Fãs,

Mamãe trouxe na mochila um pedaço de borracha murcha. Assoprou, assoprou, assoprou, virou um balão. Torceu daqui, torceu dali, deu nó, deu outro nó, virou um bicho. Pegou caneta, colocou carinha: virou um rato. Mamãe com o pedaço de borracha murcha fez um rato. Mamãe é quase igual a Deus que assoprava nas coisas pra dar vida.

Christie e eu passamos a noite toda brincando com o ratinho azul. Ele era simpático, estava sempre sorrindo um sorrisinho azul demais. Eu jogava pra lá, Christie pra cá. Eu mordia as orelhas, a Christie, o rabo e o pobre nem se queixava sequer. De repente, não sei se tímido, se cansou de brincar, se acabou seu tempo entre nós, o ratinho começou a esvaziar, esvaziar, esvaziar. Toda vida que a mamãe colocou nele, saiu por um buraquinho bem miúdo. Ratinho era tão valente em sua carne de borracha que sua pele está aqui na minha cama até agora, mas era um frouxo de alma, pois ela fugiu de nós e agora está aí vagando e sendo respirada pelo mundo.

Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

Eu com o ratinho que mamãe deu vida pra mim

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Christie atacando o rabo do rato

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Nós. juntos, dividindo o banquete. Este ratinho é equivalente ao pastel chinês que papai gosta de comer, só tem ar dentro.



 

 

Hoje é o dia do caçador (ou não)

Fãs,

Há um maior espaço obviamente para a intelectualidade, mas há que ter um espaço também para caçar. Gosto de caçar ratos e já que não os como, pois podem me fazer mal, fico recitando-lhes poesias, ou seja, acaba a caça, volto à intelectualidade. Eles pensam que estão à beira da morte e, para aterrorizá-los mais, recito O CORVO do tio Allan Poe, ou alguns versos do tio Augusto dos Anjos: “Almoça a podridão das drupas agras,/ Janta hidrópicos, rói vísceras magras/ E dos defuntos novos incha a mão…” Hoje passei a tarde tentando ensinar a Christie a caçar, a realizar a tão esperada vingança dos TOM sobre os JERRY… mas ela não se mostrou uma boa aluna. Pegava o ratinho de crochê no qual treinávamos e, no lugar de atacá-lo, ficava brincando e dando lambidinhas. Chegou a falar para o ratinho um “Oi, amiguinho!” Dei-lhe uma bronca, disse que ela deveria atacar, mas ela disse que não, que ratinhos são fofinhos e engraçados. Desisti e fui dormir. Quando eu acordei no fim da tarde, Christie estava perturbando papai e mamãe para que comprassem um Hamster para ser o irmãozinho caçula dela! Onde foi que errei?

Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

Minhas almofadinhas capturando o ratinho

Ensinando a Christie como se caça um rato

Até posso… mas tenho tanto sono

Fãs,

Imaginem um gato de desenho animado deitado sobre um macio travesseiro de penas de ganso, passa um ratinho em sua frente, dança, balança o rabinho, praticamente implora pra ser devorado e nada. Isso ocorre porque o gato está pensando: até posso, mas tenho tanto sono… Nós gatos, nos entendam, humanos, podemos fazer o que quisermos, mas a única coisa que queremos é dormir. Se os homens fossem mais felinos, teríamos menos guerra e mais sonhos.

Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

A fundamental diferença entre mim, Borges e o Cérebro.