Um ratinho cuja alma foge

Fãs,

Mamãe trouxe na mochila um pedaço de borracha murcha. Assoprou, assoprou, assoprou, virou um balão. Torceu daqui, torceu dali, deu nó, deu outro nó, virou um bicho. Pegou caneta, colocou carinha: virou um rato. Mamãe com o pedaço de borracha murcha fez um rato. Mamãe é quase igual a Deus que assoprava nas coisas pra dar vida.

Christie e eu passamos a noite toda brincando com o ratinho azul. Ele era simpático, estava sempre sorrindo um sorrisinho azul demais. Eu jogava pra lá, Christie pra cá. Eu mordia as orelhas, a Christie, o rabo e o pobre nem se queixava sequer. De repente, não sei se tímido, se cansou de brincar, se acabou seu tempo entre nós, o ratinho começou a esvaziar, esvaziar, esvaziar. Toda vida que a mamãe colocou nele, saiu por um buraquinho bem miúdo. Ratinho era tão valente em sua carne de borracha que sua pele está aqui na minha cama até agora, mas era um frouxo de alma, pois ela fugiu de nós e agora está aí vagando e sendo respirada pelo mundo.

Ass.: Borges, o gato – @borgesogato

Eu com o ratinho que mamãe deu vida pra mim
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Christie atacando o rabo do rato
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Nós. juntos, dividindo o banquete. Este ratinho é equivalente ao pastel chinês que papai gosta de comer, só tem ar dentro.



 

 

12 comentários em “Um ratinho cuja alma foge

  1. Borginho, almas q fogem são mesmo assim… Vão sendo respiradas por aí. Até… Bem, até sempre… Ou até nunca mais… Na verdade não sei… Bj

  2. Hj vc se superou na alma de poeta, Borginho!
    Me deu até vontade de fazer um brinquedo igual pros meus bichanos

  3. Querido Borges, sou apaixonada por gatos e qdo leio seu blog essa certeza se fortalece. Você é demais! Lambeijos

  4. Borges, esse foi o ciclo da vida do ratinho! Ele se foi, e não há nada que poderá ser feito!!
    A comparação com o pastel chinês é válida! Sempre reparei que esses pastéis andam meio sem alma!!!

  5. Adorei, Borges! Será que vc anda lendo Mia Couto??? Seu texto me lembrou muito de alguns escritos dele…

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